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Desastre de Cheche: «Dignificar morte» de antigos combatentes

Antropóloga forense da UC parte em missão para exumar corpos de soldados em vala comum

2010-02-18
Por Marlene Moura
Eugénia Cunha na última missão na Guiné-Bissau
Eugénia Cunha na última missão na Guiné-Bissau
Uma equipa de investigadores, liderada pela antropóloga forense Eugénia Cunha, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), parte para a Guiné-Bissau no próximo dia 26 de Fevereiro, onde, durante uma semana, irá identificar e exumar restos mortais de antigos combatentes portugueses sepultados numa vala comum, em Cheche, vítimas de um dos episódios mais traumáticos da Guerra colonial.
Segundo Eugénia Cunha, o objectivo central desta expedição é “dignificar a morte; identificando e centralizando os combatentes dispersos pelo país, numa única capela”, situada no cemitério de Bissau e construída para este efeito.

O desastre de Cheche – ocorrido a 6 de Fevereiro de 1969, durante a travessia do rio Corubal – provocou a morte a quase 50 soldados. Esta é a quinta missão promovida pela Liga dos Combatentes de Portugal (LCP), no âmbito do programa «Conservação de Memórias», e prevê o resgate dos restos mortais de soldados portugueses que pereceram em campo de batalha.

No entanto, esta é a missão que apresenta maiores obstáculos. Como explicou a antropóloga forense ao «Ciência Hoje»: “ O facto de se encontrarem numa vala comum e não em sepulturas individualizadas dificulta a diferenciação dos corpos entre os vários indivíduos” – o que requer maior complexidade a nível de trabalho científico.

Eugénia Cunha sublinhou ainda que amálgama de corpos tornará o processo muito mais lento e delicado. E acrescentou: “Não temos a certeza do número exacto de soldados ali sepultados. Segundo o testemunho de sobreviventes, poderão estar na vala comum entre 15 a 17 militares”.

Corpos ficarão em cemitério de Bissau
Corpos ficarão em cemitério de Bissau
Outra grande dificuldade com que os investigadores irão confrontar-se será "o estado de conservação dos esqueletos, muito debilitado, devido às características do local, por estar a 300 metros do rio, com elevado índice de humidade”, salientou.

Prospecção e reconstrução

A equipa de missão da LCP já realizou uma prospecção prévia do local e preparou toda a logística para receber agora o grupo técnico de investigadores da Universidade de Coimbra.

Após a prospecção geofísica, as escavações e a exposição dos restos humanos é que segue a análise antropológica, que se efectua em duas fases: a primeira é reconstrutiva relativamente ao perfil da pessoa com base no seu esqueleto e a segunda é comparativa, onde os dados do exame são equiparados com os desaparecidos.

Contudo, Eugénia Cunha esclarece que caso as famílias requeiram os corpos, estes não serão centralizados na capela, mas devolvidos após a conclusão da análise das características morfológicas das vítimas encontradas. As missões anteriores, que decorreram em Guidage, Farim e Gabú, permitiram identificar e exumar 50 corpos, dos quais, nove foram transladados para Portugal, por desejo dos familiares.


naveg
2010-02-19
15:53
Em Bafatá e em Bambadinca, ainda (!) estão ossadas de militares oriundos da Metrópole...
Também devem ser exumados!
José Manuel Potier (ex Cap.Milº)
2010-02-19
18:13
Se foram exumados e identificados, porque não são todos transladados para Portugal ?
Quem manterá, no futuro,as suas campas com a dignidade que lhes é devida?
Miguel Vasconcelos
2010-03-02
11:16
A "Senhora Dra. Eugenia Cunha e Companhia" gastam fundos publicos e tentam adquirir notariadade à custa destes mortos em combate, disse bem o Jose Potier quanto a transladação, respeito seria transladalos para Portugal e entregar os ossos às familias, isso valeria a pena, o resto é umas feriazinhas à borla na Guine.
gil mar sousa
2010-03-08
00:08
em parte alguma se deixa um combatente .quando a pãtria é una
Luísa Ramos
2010-03-22
07:12
Missões como esta ajudam o país a sarar as feridas abertas e a atenuar um luto pátrio. A justeza da sua acção é justificada pela memória que se lhes deve . As gerações futuras são reféns dos nossos actos e a dignidade não se aprende nos livros, vive-se.

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