Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010
A violência está de volta a Maputo - Incidentes voltaram esta manhã a Maputo com carga policial sobre os populares. Pelas ruas da cidade o dispositivo policial é enorme. Pilhagens e pneus queimados pintam o cenário da capital

Cuidado! Um automóvel está prestes a colidir com o seu!

Projecto Drive-IN, em desenvolvimento, permitirá comunicação entre veículos e escolha de rotas

2010-04-01
Por Marlene Moura

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Dispositivo de rede veicular faz gestão inteligente do tráfego
Dispositivo de rede veicular faz gestão inteligente do tráfego
Imagine o seguinte cenário: Está na estrada, com piso molhado, perde o controlo do veículo e vai irremediavelmente chocar contra outro automóvel. Seria bastante conveniente se pudesse saber a distância exacta da trajectória, fazer com que o airbag se abra imediatamente e avisar o outro condutor; ou melhor, caso seja possível evitar o embate, ser previamente avisado para realizar uma travagem de emergência.

O projecto Drive-IN (Distributed Routing and Infotainment through Vehicular Inter-Networking) já está em desenvolvimento – uma parceria de investigação do Programa Carnegie Mellon|Portugal, entre várias universidades, o Instituto de Telecomunicações e a empresa NDrive (parceiro industrial) –, vai permitir a comunicação entre veículos e fazer uma gestão inteligente do tráfego.

Michel Ferreira, investigador
Michel Ferreira, investigador
Michel Ferreira, do Departamento de Ciências dos Computadores da Universidade do Porto (UP) e um dos responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia de comunicação, adiantou em entrevista ao «Ciência Hoje», que os dados são digitais e introduzidos automaticamente através de sensores, incluídos nos automóveis, como um Sistema de Posicionamento Global (GPS).

“Caso já não haja nada a fazer e dois carros estejam prestes a chocar, o dispositivo poderá alertar os condutores e, milésimos de segundos antes, activar os airbags – tal como acontece com os pré-sensores dos cintos de segurança – e ainda dar outras informações como a que distância está o outro veículo”, por exemplo, ou prevenir para “uma iminente travagem de emergência”, entre outras, sublinhou o investigador.

No entanto, a criação desta rede wireless, não se prenderá apenas com questões de segurança rodoviária inter-veículos, ou seja, emitir sinais de aviso contra a sinistralidade, mas também atenderá determinadas necessidades de eficiência. Michel Ferreira contou ainda que “a aplicação fará a comunicação de possíveis engarrafamentos e os próprios navegadores NDrive indicarão rotas alternativas” – o GPS actual não usa dados a nível de congestionamento.

A aplicação indicará rotas alternativas
A aplicação indicará rotas alternativas
As multi-potencialidades do dispositivo não se esgotam aqui já que integrará, igualmente, um sistema de auxílio para ultrapassagens, de um carro para o outro, por vídeo. “Se o camião à nossa frente, devido à falta de visibilidade, nos dificultar a manobra, o visor irá mostrá-lo ‘invisível’ para poder saber aquilo que se encontra à sua frente”, continuou.

A terceira vertente do Drive-IN será para o entretenimento, mais orientado para os passageiros do que para os condutores, tendo em conta que estes últimos estarão ocupados com a estrada. A infra-estrutura de comunicação suportada por veículos permitirá jogos entre passageiros, em carros diferentes, e acesso à Internet, onde poderão ler o E-mail através da rede veicular. Os protocolos de comunicação para jogos estão a ser criados entre redes móveis.

Rede protótipo no Porto

Comunicação poderá ser por vídeo
Comunicação poderá ser por vídeo
Esta criação de redes veiculares, wireless, que permitam uma comunicação optimizada entre veículos, contribuindo para a qualidade da experiência dos condutores e passageiros, e também para a eficiência da utilização dos veículos e das vias de comunicação (por exemplo, cálculo da melhor rota para evitar os locais com muito trânsito; impacto no consumo de energia e nas emissões de dióxido de carbono, entre outros aspectos).

Segundo o investigador da UP, “a rede ainda não existe na prática e a melhor forma de a estudar será fazer uma simulação em larga escala, analisando a mobilidade do trânsito de uma cidade inteira, através de computação, mas com muito realismo”. A União Europeia prevê a obrigatoriedade da integração de GPS e telemóvel por defeito em automóveis a longo prazo – o que irá beneficiar o lançamento deste dispositivo, que segundo os envolvidos, deverá estar apto dentro de dois anos.

Já existem demos do projecto – cujo início de criação fará um ano dentro de um mês –, e os dispositivos estão quase a entrar em fase de teste, através da aplicação de uma rede protótipo, “possivelmente implementada numa frota de táxis”, na cidade do Porto, a partir do próximo Verão, mas “os automóveis ainda estão em fase de selecção”, concluiu Michel Ferreira.



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