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Existe relação biológica entre stress, depressão e ansiedade

Estudo publicado no «Nature Neuroscience»

2010-04-12
Investigadores da Universidade de Western Ontário (Canadá) descobriram uma relação biológica entre stress, depressão e ansiedade. O estudo liderado por Stephen Ferguson, do Robarts Research Institute, mostrou exactamente como é que o stress e a ansiedade podem levar à depressão, identificando o mecanismo de ligação no cérebro.
A investigação revela ainda que uma pequena molécula inibidora, desenvolvida pelo cientista canadiano, poderá ajudar a chegar a um melhor tratamento para a ansiedade e outros problemas relacionados. O artigo foi hoje publicado no jornal «Nature Neuroscience».

Stephen Ferguson, Ana Magalhães e outros colegas do instituto usaram para a análise um rato como modelo comportamental e uma série de experiência moleculares para revelar a relação existente e o caminho para testar o novo inibidor. Segundo o investigador e também director do Molecular Brain Research Group, em Robarts, “a descoberta sugere que pode haver uma nova geração de medicamentos mais eficientes para tratar a depressão”.

O estudo foi conduzido em parceria com Hymie Anisman, da Universidade de Carleton, financiada pelo Instituto Canadiano de Investigação em Saúde (CIHR). “De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a depressão e outras problemas relacionados com o humor partilham agora a distinção de serem as causas mais prevalentes de doenças crónicas”, explicou Anthony Phillips, director científico do CIHR.

O mecanismo de ligação envolve a interacção entre o receptor do factor de liberação de corticotropina 1 (CRFR1) e tipos específicos de receptores de serotonina (5-HTRs). Embora ninguém tenha sido capaz de interligar estes dois receptores a nível molecular, o estudo revela que o CRFR1 aumenta o número de 5 HTRs na superfície das células no cérebro, que pode causar uma sinalização anormal do cérebro.

Já que a activação do CRFR1 leva à ansiedade em resposta ao stress, e levar 5 HTRs a depressão, a pesquisa mostra como o stress, ansiedade e depressão se conectam através de percursos distintos processos no cérebro. Mais importante ainda, o inibidor desenvolvido pelo laboratório de Ferguson bloqueia o 5 HTRs para combater comportamentos de ansiedade, depressão, em ratos.

O transtorno depressivo ocorre muitas vezes com problemas de ansiedade nos pacientes, e as causas estão fortemente ligada a experiências stressantes. Ao descobrir e bloquear a via responsável pela ligação entre stress, ansiedade e depressão, Ferguson não só fornece a primeira evidência biológica para uma conexão, mas também será pioneiro em desenvolver uma droga potencialmente eficaz no tratamento destas maleitas.
Rosa
2010-04-14
20:20
Onde se faz análise à serotonina? Há mais de 20 anos que sofro de depressão, gostava de saber se é falta de serotonina.
tony
2010-06-14
18:43
Em qualquer laboratório, na net as opiniões divergem sobre a serotonina. Ex de comentário:

Quando uma pessoa deprimida vai ao médico, o médico diz «ah isso é a serotonina que está em baixo, vou receitar-lhe um anti-depressivo que vai fazer subir esse nível, e vai sentir-se melhor». E eu pergunto: como é que sabe que o nível de serotonina está baixo? Não pode fazer uma análise e comprovar se é mesmo isso o que se passa?

De facto era mais fácil se a serotonina fosse como o sal na sopa – tem de mais, tem de menos, aumenta-se, diminui-se. E tem razão, na medicina é isso que se faz, é medir o sal a olho. Mas na realidade é muito mais complicado – o que é importante para que tudo funcione como deve é que a serotonina esteja no sítio certo no momento certo. Medir o total não nos diz nada, e de facto um medicamento que age de forma global é ainda uma forma ainda primitiva de lidar com o problema. Só conta uma parte da história.

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