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Nanorobótica terá mais impacto na saúde do que na informática

Produzir células artificiais pode ser possível

2010-04-15
A nanorobótica terá grande importância para a informática e para a electrónica, mas o seu “maior impacto será na biologia e na saúde”, prevê o cientista luso-americano Aristides Requicha.

O cientista, que ontem proferiu uma conferência em Coimbra, acredita que “a Internet se vai transformar num sistema gigante de robótica distribuída”, em que, além de “aceder à informação”, também será possível “actuar no mundo físico e ver o que está a acontecer”.

Nessa altura, “para se ter uma boa informação acerca do que acontece no mundo” serão, no entanto, necessários “sensores, motores e outras coisas, todas ligadas numa rede enorme”, sustenta.
Tais sensores vão ter de ser “muito pequenos - micro ou nano -, para serem práticos”, adverte o especialista de origem portuguesa, residente nos Estados Unidos desde a década de 70, onde dirige o Laboratório de Robótica Molecular da Universidade de Southern Califórnia.

Saúde e biologia

A electrónica e a informática sofrerão, com a nanotecnologia, “alterações profundas, mas a sua influência será ainda maior na biologia e na saúde”, afirma.

Sensores vão ser muito pequenos
Sensores vão ser muito pequenos
Mas antes é necessário, por exemplo, que “sejamos capazes de fazer células artificiais” e isso ainda “levará tempo”, embora “agora já se esteja numa fase de contacto íntimo entre células naturais e as artificiais”, que ainda estão longe da fórmula pretendida.

Aristides Requicha não tem, contudo, dúvidas de que “na questão da saúde há, nesta área, potencialidades enormes”, embora ainda estejam “muito longe de ser realizadas”.

“O que existe actualmente são drogas, remédios dirigidos especificamente a certas células”
e continuam por identificar quais as células que padecem de males, como, por exemplo, de cancro.

Importante é, por isso, “perceber melhor o que está a biologia a fazer”, diz Aristides Requicha, que falava depois da conferência que proferiu, esta tarde, no Instituto de Sistema de Robótica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

Entender as células


“Quando soubermos melhor o que está a acontecer, o que é uma célula está a dizer à outra ou porque é que uma célula resolve suicidar-se, ultrapassamos certos problemas
”, porventura “determinantes”.

Aristides Requicha, cientista luso-americano
Aristides Requicha, cientista luso-americano
“Faltam ainda muitas descobertas”
, mas “estamos a dar passos animadores”, afirma o cientista.

A questão da saúde também será uma das preocupações do Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia, em Braga, disse Aristides Requicha, membro do Conselho Científico desta instituição que foi inaugurada no final do ano passado.

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