Receba as notícias:

Um embrião com três pais

Duas mulheres e um homem envolvidos na concepção podem ajudar a evitar doenças

2010-04-19
Técnica através da fertilização in vitro para evitar doenças
Técnica através da fertilização in vitro para evitar doenças
A última descoberta da fecundação in vitro é o transplante de DNA − uma técnica que utiliza óvulos de duas mulheres e esperma de um homem para conceber embriões sem doenças graves.

Para ter um filho saudável pode não bastar apenas um óvulo e um espermatozóide. Nas famílias em que há incapacidades como a distrofia muscular ou a ataxia cerebral, de geração em geração, a solução poderia passar por submeter-se a um novo procedimento que permite eliminar essa herança imperfeita em laboratório.
Cientistas da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, demonstraram que é possível criar embriões humanos saudáveis a partir de material genético de duas mulheres e um homem. A investigação, publicada na mais recente edição da Nature, poderá estar disponível nas clínicas de reprodução assistida dentro de três anos

A técnica foi pensada para evitar a transmissão de doenças mitocondriais, um grupo de 150 patologias não muito frequentes, mas devastadoras. São doenças que causam demência, cegueira, distúrbios no sistema nervoso e nos órgãos vitais como no coração ou nos rins. Transmitem-se por via materna, através do DNA que existe nas mitocôndrias, fora do núcleo do óvulo.

Estas estruturas estão em todas as células do organismo, excepto no sangue. As mitocôndrias são responsáveis pela produção da energia necessária à vida. Uma característica única destes organelos celulares é que o seu próprio DNA é procedente da mãe.

Mitocôndrias a vermelho e núcleo a azul
Mitocôndrias a vermelho e núcleo a azul
Para evitar a transmissão dessa carga genética, que pode transportar doenças, a nova técnica baseia-se num “transplante de mitocôndrias” ao embrião. Através da fecundação in vitro, extraem-se os núcleos dos espermatozóides do pai e o óvulo da mãe, que contêm o DNA dos pais, onde as mitocôndrias defeituosas não entram. Os núcleos são implantados posteriormente no óvulo de uma mulher saudável, sem o núcleo mas com as suas mitocôndrias.

Mudar a bateria

“O que fazemos é como mudar a bateria de um computador. Com a entrada de energia necessária, funciona correctamente e a informação do disco duro não se altera”, explica Doug Turnbull, responsável pela investigação.

As mitocôndrias não levam informação genética que define as características de uma pessoa. Deste modo, os bebés que nasçam através deste procedimento vão ser parecidos com os seus pais ‘reais’. Na sua concepção tiveram elementos genéticos de três pessoas, mas apenas o DNA nuclear dos seus pais terá influência na sua aparência física e noutras características gerais.

Com este processo, já se criaram 80 embriões viáveis que não se implantaram em nenhuma mulher. Mantiveram-se com vida em laboratório durante oito dias, até que alcançaram o estágio blastócito. Entretanto foram destruídos, como manda a legislação britânica.

A técnica não deixa de ser polémica porque supõe a manipulação do embrião e contém genes de três progenitores: do pai, da mãe mais um pequena adição de DNA mitocôndrial da doadora.
Alberto Carvalhal Campos
2010-04-21
19:50
Isto me parece ótimo para evitar doenças e deformações em filhos de pessoas que fazem questão de perfeição.

Adicionar comentário:

Comentário
Nome:
Email:
Insira as letras na caixa
Ciência Hoje não publica comentários anónimos. Ciência Hoje só publica comentários identificados com nome e email para eventual posterior contacto. Ciência Hoje recusa publicar comentários insultuosos ou ataques pessoais.

Últimas notícias

Dê azeite ao seu coração

Dois jovens cientistas portugueses
entre oito distinguidos pela EMBO

Neste Natal dê o seu apoio ao Ciência Hoje

Efeitos da cafeína diferem com ou sem açúcar?

António Fernandes da Fonseca deixou a “sua marca”
na passagem pelo Mundo!

É possível estudar «cientificamente» as salsichas?
Universidades de Lisboa, Évora e Trás-os-Montes e Alto Douro fizeram investigação

UBI apresenta amanhã em Bruxelas
sistema de propulsão inovador

Podemos fazer algo para minimizar
ou mesmo evitar a demência?

"Santo graal da cardiologia" vence prémio Fundação Altran para a Inovação

Investigador da UC lidera investigação europeia
sobre as doenças de Parkinson e de Machado-Joseph

Equipa internacional revela o "big bang"
da evolução das aves

Henrique Leitão, vencedor do Prémio Pessoa:
“Um curso de física bem dado é uma verdadeira sinfonia”

Instituto do Território lança Agênca da Baixa Densidade

UC entre as instituições europeias que venceram
o projecto “Vida Saudável e Envelhecimento Activo”

Investigação científica da UE aberta para todos

Cientistas portugueses no vulcão da Ilha do Fogo

UC inaugura projecto pioneiro para resolver
problema da fruticultura nacional

Investigadores da UTAD promovem avanços significativos
na compreensão da doença de Alzheimer

Prémios Pfizer entregues hoje

“Espelho mágico” permite ver como as peças de roupa
de uma loja ficam na pessoa

Sexo de pinguins: como determiná-lo

Punir as crianças quando mentem não funciona

LED desenvolvido pela UA quer revolucionar tecnologia
que recebeu Nobel da Física

Habilidades de feira vs. bancos de escola

Beba vinho tinto! Pela sua saúde!

Aveiro «inventa» folha de fruta não comercializada

UMinho quer criar lentes e iluminação para daltónicos

Vinho e cultura melhores do que sol e areia
e Portugal pode beneficiar com isso

Desenvolvido em Espanha um modelo
para detectar a condução agressiva

Distinguido estudo do metabolismo
de células do cancro do pulmão