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Pseudo-escorpião e escaravelho únicos no mundo descobertos em Portugal

Animais foram encontrados em grutas pela bióloga Sofia Reboleira

2010-12-02

Pseudo-escorpião tem dois centímetros
Pseudo-escorpião tem dois centímetros
Duas novas espécies únicas no mundo, um pseudo-escorpião e um escaravelho cavernícolas, foram descobertas pela bióloga portuguesa Sofia Reboleira em grutas do Algarve e do Montejunto.

É uma descoberta absolutamente fascinante” disse à Lusa a bióloga que fez a descoberta do pseudo-escorpião considerado “uma relíquia” por ser um dos exemplares “mais modificados ao longo de milhões de anos em que se adaptaram para viver debaixo de terra”.

Sem antecessores vivos à superfície, este invertebrado de dois centímetros, que só existe nas grutas do Algarve, é apontado como “um gigante” já que o tamanho destes animais oscila, normalmente, entre um e cinco milímetros, explica a bióloga.

 

A descoberta, que confere um maior grau de interesse à fauna cavernícola portuguesa, revela “informação evolutiva importante” já que o pseudo-escorpião evoluiu para características como “não ter olhos, ter patas grandes, e um extremo alargamento das pinças”, acrescenta.

Sofia Reboleira descobriu os animais em grutas
Sofia Reboleira descobriu os animais em grutas
Publicada há duas semanas em revistas científicas especializadas em zoologia - Zootaxa - a descoberta da portuguesa (descrita com Juan Zaragoza) sucede a outra publicada na sexta feira, e que oficializa a descoberta de uma nova espécie de escaravelho cavernícola encontrado nas grutas do Montejunto (Cadaval).

Denominado “Trechus Tatai” o escaravelho descoberto por Sofia Reboleira e descrito por Vicente Ortuño (da Universidade de Alcalá, em Madrid) aumenta para quatro o número de espécies de escaravelhos cavernícolas (três dos quais descobertos pela bióloga).

“Vive exclusivamente ali, é despigmentado e tem os olhos muito reduzidos” descreve a investigadora, sublinhando a raridade do escaravelho cuja sobrevivência depende da matéria orgânica arrastada pelas águas para o subsolo e para o qual “a poluição e destruição de grutas significam perigo de extinção”.

A descoberta das duas espécies ocorreu durante o trabalho de campo no âmbito do doutoramento de Sofia Reboleira, orientado por Fernando Gonçalves (do departamento de biologia da Universidade de Aveiro) e Pedro Oromí (da Universidade de La Laguna, em Tenerife, Espanha) e financiado pela Fundação Para a Ciência e Tecnologia.
 

Augusto
2010-12-04
10:47
Parabens

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