“Juntar universidades à indústria pode criar valor para o País”
Programa Carnegie Mellon Portugal apresenta novos projectos

Para além da presença dos investigadores dos projectos em Tecnologias de Informação e Comunicação, o evento contou com a presença de João Barros, director nacional do Programa Carnegie Mellon Portugal, e do presidente da FCT, João Sentieiro, que abriu o encontro afirmando que o avanço que estes novos projectos representam é uma “forma de demonstrar que esta parceria (com a Carnegie Mellon University) deve continuar”.
Mas estes 12 novos projectos resultam do último concurso público que decorreu entre 2009 e 2010, tendo sido seleccionados entre um total de 22, avaliados por um painel de peritos composto por Sir John O’Reilly, Luigia Carlucci Aiello, Tarig Durrani e Joel Moses. Como explicou o responsável, “através de uma chamada para projectos, de um processo competitivo em que novos consórcios submeteram propostas, seleccionámos 12 novos projectos através de uma avaliação externa, independente e internacional que, mais uma vez, junta as universidades e o tecido industrial em torno de produtos, serviços e tecnologias que podem criar valor para o País, em particular na área do software, da energia, das redes e dos sistemas e dados”.

Ao longo do dia de ontem, os investigadores revelaram as principais ideias e objectivos propostos a concretizar até 2013, o período de duração dos projectos. “Todos eles estão ligados a infra-estruturas de informação e comunicação que são essenciais para todos nós. Há projectos que tentam garantir que as redes de comunicação não falhem, existem outros que estão ligados a grandes armazéns de computadores onde se processam enormes quantidades de dados, e depois há projectos na área de software que garantem que este funcione de forma mais fiável e por isso o nosso computador já não vai a baixo”, explicou João Barros. Para o director nacional do Programa Carnegie Mellon Portugal, “hoje em dia, as infra-estruturas de informação e comunicação fazem parte de tudo e por isso é cada vez mais importante garantir que existem tecnologias que tornam essas infra-estruturas mais fiáveis e utilizáveis pelo maior número de pessoas”.
Competição dos recursos
No seu todo, os projectos são desenvolvidos por investigadores de seis instituições do ensino superior português, da Carnegie Mellon, e em conjunto com mais de 10 empresas nacionais, como a Portugal Telecom, a Novabase, a Nokia Siemens Networks, a Critical Software, a OutSystems, a EDP, a EPRI, ISA, Autonomia – Recurso Renováveis, a Logica, a Observit, entre outras.
“Portugal tem hoje bastantes mais investigadores do que antigamente, tem uma massa crítica como nunca houve em nenhuma altura da história e, por isso, a competição dos recursos é muito maior. Daí ser tão importante envolver o sector privado e ter também as empresas a fazer investimento na investigação e desenvolvimento”, afirmou João Barros ao CH. “É isso que vai levar o País a um patamar económico superior em que já não vendemos mão-de-obra barata mas sim produtos e serviços de alto valor que resulta do conhecimento avançado nas nossas universidades”, acrescentou.
Evitar acidentes de avião
O projecto ‘Algoritmos e ferramentas para a verificação dos sistemas de software’, apresentado por Inês Lynce, do Departamento de Engenharia Informática do Instituto Superior Técnico de Lisboa, “pretende mostrar como os erros de software podem ser críticos em questões de segurança e até outras questões com custos envolvidos”, explicou a investigadora ao CH. O trabalho de verificação de software “é muito importante actualmente, tem um custo elevado porque nem todo o software vai ser verificado, mas para aplicações criticas tem de ser”.

Quando a rede 'cai'
É sabido que as redes são difíceis de gerir e de operar. As empresas gastam mais recursos na gestão corrente e operações das redes do que em investir no desenvolvimento e lançamento de novos serviços de tecnologia de informação. Ao CH, Ricardo Morla, do INESC Porto e Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, explicou que o projecto ‘Operações e Gestão de Redes de Próxima Geração’ “tem a ver com a forma de melhorar esse processo entrega de conteúdo aos utilizadores”. Segundo o investigador principal, “a rede é tão complexa que tem muitas limitações, por isso a motivação da equipa é identificar, de forma automática, esses problemas e também a localização dos mesmos”. Ricardo Morla considera que “este projecto é inovador no sentido em que junta pessoas que têm conhecimento de redes com pessoas que tratam de dados”.
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