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“Juntar universidades à indústria pode criar valor para o País”

Programa Carnegie Mellon Portugal apresenta novos projectos

2011-03-02
Por Susana Lage (texto e fotos)
João Barros é o director nacional do Programa Carnegie Mellon Portugal
João Barros é o director nacional do Programa Carnegie Mellon Portugal
Os novos 12 projectos de investigação do Programa Carnegie Mellon Portugal, financiados através da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), foram ontem apresentados no Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa.

Para além da presença dos investigadores dos projectos em Tecnologias de Informação e Comunicação, o evento contou com a presença de João Barros, director nacional do Programa Carnegie Mellon Portugal, e do presidente da FCT, João Sentieiro, que abriu o encontro afirmando que o avanço que estes novos projectos representam é uma “forma de demonstrar que esta parceria (com a Carnegie Mellon University) deve continuar”.
Em entrevista ao Ciência Hoje, João Barros explicou que “o Programa Carnegie Mellon Portugal existe desde Outubro de 2006 e já tinha dez projectos em andamento que unem grupos de investigação de várias universidades portuguesas, várias empresas e centros de investigação na Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, que focavam áreas de redes de nova geração, sistemas de sensores, sistemas de transporte inteligentes”.

Mas estes 12 novos projectos resultam do último concurso público que decorreu entre 2009 e 2010, tendo sido seleccionados entre um total de 22, avaliados por um painel de peritos composto por Sir John O’Reilly, Luigia Carlucci Aiello, Tarig Durrani e Joel Moses. Como explicou o responsável, “através de uma chamada para projectos, de um processo competitivo em que novos consórcios submeteram propostas, seleccionámos 12 novos projectos através de uma avaliação externa, independente e internacional que, mais uma vez, junta as universidades e o tecido industrial em torno de produtos, serviços e tecnologias que podem criar valor para o País, em particular na área do software, da energia, das redes e dos sistemas e dados”.

O projecto ‘Algoritmos e ferramentas para a verificação dos sistemas de software’ foi apresentado por Inês Lynce
O projecto ‘Algoritmos e ferramentas para a verificação dos sistemas de software’ foi apresentado por Inês Lynce
Infra-estruturas mais fiáveis

Ao longo do dia de ontem, os investigadores revelaram as principais ideias e objectivos propostos a concretizar até 2013, o período de duração dos projectos. “Todos eles estão ligados a infra-estruturas de informação e comunicação que são essenciais para todos nós. Há projectos que tentam garantir que as redes de comunicação não falhem, existem outros que estão ligados a grandes armazéns de computadores onde se processam enormes quantidades de dados, e depois há projectos na área de software que garantem que este funcione de forma mais fiável e por isso o nosso computador já não vai a baixo”, explicou João Barros. Para o director nacional do Programa Carnegie Mellon Portugal, “hoje em dia, as infra-estruturas de informação e comunicação fazem parte de tudo e por isso é cada vez mais importante garantir que existem tecnologias que tornam essas infra-estruturas mais fiáveis e utilizáveis pelo maior número de pessoas”.

Competição dos recursos

No seu todo, os projectos são desenvolvidos por investigadores de seis instituições do ensino superior português, da Carnegie Mellon, e em conjunto com mais de 10 empresas nacionais, como a Portugal Telecom, a Novabase, a Nokia Siemens Networks, a Critical Software, a OutSystems, a EDP, a EPRI, ISA, Autonomia – Recurso Renováveis, a Logica, a Observit, entre outras.

Programa Carnegie Mellon Portugal
A missão do Programa Carnegie Mellon Portugal é colocar o país na vanguarda da inovação em áreas focadas de tecnologias de informação e comunicação, através da investigação de ponta, da excelência na formação pós-graduada e de uma ligação muito próxima com a indústria portuguesa. O Programa, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, resulta de uma colaboração entre o governo português e a universidade norte-americana de Carnegie Mellon na área das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), iniciada em Outubro de 2006. Esta parceria internacional abrange mais de 220 estudantes de Mestrado e de Doutoramento de grau dual, compreende 22 projectos de investigação, seleccionados por via competitiva, e tem mais de 60 empresas parceiras. O Programa impulsionou a criação do Instituto de Tecnologias Interactivas da Madeira (Madeira ITI) e de quatro start-ups: Dognaedis, Geolink, Feedzai e Mambu.


“Portugal tem hoje bastantes mais investigadores do que antigamente, tem uma massa crítica como nunca houve em nenhuma altura da história e, por isso, a competição dos recursos é muito maior. Daí ser tão importante envolver o sector privado e ter também as empresas a fazer investimento na investigação e desenvolvimento”, afirmou João Barros ao CH. “É isso que vai levar o País a um patamar económico superior em que já não vendemos mão-de-obra barata mas sim produtos e serviços de alto valor que resulta do conhecimento avançado nas nossas universidades”, acrescentou.

Evitar acidentes de avião

O projecto ‘Algoritmos e ferramentas para a verificação dos sistemas de software’, apresentado por Inês Lynce, do Departamento de Engenharia Informática do Instituto Superior Técnico de Lisboa, “pretende mostrar como os erros de software podem ser críticos em questões de segurança e até outras questões com custos envolvidos”, explicou a investigadora ao CH. O trabalho de verificação de software “é muito importante actualmente, tem um custo elevado porque nem todo o software vai ser verificado, mas para aplicações criticas tem de ser”.

Ricardo Morla é o investigador principal do projecto ‘Operações e Gestão de Redes de Próxima Geração’
Ricardo Morla é o investigador principal do projecto ‘Operações e Gestão de Redes de Próxima Geração’
A ferramenta de verificação contém ferramentas lógicas em si. “O objectivo é desenvolver um pouco mais essas ferramentas. Por exemplo, temos um software num avião e depois temos uma peça de lógica para verificar se esse software está bem”, para evitar um acidente. No entanto, o software lógico pode não estar correcto, por isso, “não vamos verificar que o nosso software está todo correcto mas que a solução que ele dá está correcta”. Segundo revelou Inês Lynce, apesar da investigação estar ainda no início, algumas aplicações vão já ser feitas. “Num protótipo, vamos utilizar problemas da Caixa Mágica, que faz a distribuição do sistema operativo Linux em Portugal, como são exemplo as actualizações que por vezes são necessárias mas fazem com que algumas coisas deixem de funcionar. O que se pretende, neste caso, é garantir que isso não acontece”, explicou.

Quando a rede 'cai'

É sabido que as redes são difíceis de gerir e de operar. As empresas gastam mais recursos na gestão corrente e operações das redes do que em investir no desenvolvimento e lançamento de novos serviços de tecnologia de informação. Ao CH, Ricardo Morla, do INESC Porto e Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, explicou que o projecto ‘Operações e Gestão de Redes de Próxima Geração’ “tem a ver com a forma de melhorar esse processo entrega de conteúdo aos utilizadores”. Segundo o investigador principal, “a rede é tão complexa que tem muitas limitações, por isso a motivação da equipa é identificar, de forma automática, esses problemas e também a localização dos mesmos”. Ricardo Morla considera que “este projecto é inovador no sentido em que junta pessoas que têm conhecimento de redes com pessoas que tratam de dados”.

Universidade Carnegie Mellon
A Carnegie Mellon University (CMU) é uma universidade privada de investigação norte-americana com mais de dez mil alunos que participam nos programas de Engenharia, Ciências da Computação, Robótica, Gestão, Políticas Públicas, Artes e Humanidades. Tem pólos em Pitsburgo (Pensilvânia), Silicon Valley (Califórnia) e Doha (Catar). Tem ainda programas de educação na Ásia, Austrália e Europa. Em Portugal, estabeleceu uma parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para oferecer programas de formação duais, Professional Masters e Doutoramentos, em diversas universidades portuguesas.





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