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Budas gigantes do Afeganistão eram coloridos

Investigadores ao serviço da Unesco estudam o que restou dos budas destruídos pelos talibãs em 2001

2011-03-03
As estátuas do vale de Bamiyan eram parte de um importante complexo budista
As estátuas do vale de Bamiyan eram parte de um importante complexo budista
As estátuas gigantes de budas do vale de Bamiyan (Afeganistão), destruídas há dez anos pelos talibãs, eram coloridas no período pré-islâmico. O grupo de investigadores (da Icomos - Conselho Internacional para os Monumentos e os Sítios, da Unesco) que no último ano e meio se tem dedicado a estudar os restos das estátuas descobriu que a maior (de 55 metros) era vermelha e a mais pequena (38 metros) branca.

As estátuas eram pintadas com frequência com diferentes tonalidades. Os investigadores conseguiram também datar com precisão as esculturas. A mais pequena foi construída entre 544 e 595 e a maior entre 591 e 644.
Estas estátuas eram esculturas escavadas na pedra completadas com adornos de argila e encontravam-se nas reentrâncias de um precipício no vale Bamiyan, que faz parte da histórica “rota da Seda”. Até ao século X este espaço era o centro de um grande complexo budista. Depois da destruição feita pelos talibãs em 2001 – com tiros e explosivos – restaram apenas fragmentos.

Erwin Emmerling, da Universidade Técnica de Munique, explica que os budas eram intensamente coloridos, antes da conversão daquela região ao islão. As estátuas eram repetidamente pintadas, provavelmente porque as cores iam-se esbatendo.

O buda maior estava pintado de vermelho e o pequeno de branco, com o interior da roupa azul pálido em ambos os casos. Estes detalhes confirmam os relatos do século XI que falam de um “buda vermelho” e de um “monge branco”.

As estátuas foram esculpidas directamente na rocha ficando assim encaixadas nos buracos. No entanto, os adornos eram fabricados separadamente e adicionados através de diferentes técnicas.

Estes eram feitos de argila e aplicados em duas ou três camadas com uma precisão que surpreende os cientistas actuais. Além das superfícies estarem perfeitamente lisas, na argila encontra-se palha para absorver a humidade, pêlos de animais, que estabilizam o material e outros aditivos que impedem que haja fissuras.

A camada inferior está presa por cordas a estacas de madeira. Esta técnica permitiu aos artesãos aplicarem camadas grossas, até oito centímetros de espessura.

A questão da conservação e possível reconstrução “in situ” das duas peças é problemática. Para já, está a ser preparada uma simulação por computador, a três dimensões, do espaço e das estátuas na sua posição original.

Emmerling é céptico quanto às possibilidades de se conseguir reconstruir a estátua maior. Seja como for, o objectivo dos investigadores é reparar os fragmentos, mais do que fazer uma reconstrução. Esta poderia chocar com interesses políticos.

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