Receba as notícias:

‘A História da Neurologia em Portugal’

Livro transmite ideia do erro humano e excesso de confiança dos médicos

2011-05-18
Por Susana Lage (texto e fotos)
José Pereira Monteiro, Maria Manuela Palmeira e João Fernando Mesquita
José Pereira Monteiro, Maria Manuela Palmeira e João Fernando Mesquita
José Pereira Monteiro, João Fernando Mesquita e Maria Manuela Palmeira lançaram ontem, em Lisboa, o livro ‘A História da Neurologia em Portugal’. A obra resulta de uma recolha de dados relativos ao sistema nervoso e às suas manifestações clínicas. Mas mais que isso, transmite a ideia do erro humano e do excesso de confiança que os médicos tiveram nas diferentes épocas.

Segundo José Pereira Monteiro, trata-se de um livro que demorou “quase dez anos” a estar completo e que surgiu quando o médico era presidente da Sociedade Portuguesa de Neurologia (SPN).
Na criação do projecto, o especialista lembra que foi necessário “criar algumas comissões para tratar de temas específicos”, sendo uma delas “a comissão de História, nomeada com o objectivo de poder congregar pessoas interessadas na história da neurologia em Portugal poderem fazer apresentações regulares nas reuniões da Sociedade sobre o tema de História e reunir elementos para mais tarde poderem ser divulgados aos sócios da Sociedade”. Nesta altura, “já se pensava na possibilidade de se conseguir conciliar esses mesmos elementos e poder fazer um livro”, diz. Neste sentido, o médico convidou Maria Manuela Palmeira “para assumir a direcção dessa comissão de história de neurologia”.

De acordo com Maria Manuela Palmeira, “a coordenadora era a pessoa que ia reunir com os colegas que estavam interessados em fazer investigação e apresentar passos importantes da neurologia”. Nas reuniões da Sociedade, esses colegas proporcionavam um “momento lúdico e cultural”. Outra função da coordenadora incluía “agitar”, isto é, “marcar reuniões, tentar que os trabalhos fossem corrigidos e passados a computador, para no fim conseguirmos atingir o objectivo primordial de coleccionar e publicar”, explica a especialista.

O professor de História dá aulas na escola secundária de S.Pedro da Cova, Gondomar
O professor de História dá aulas na escola secundária de S.Pedro da Cova, Gondomar
O livro está estruturado em cinco partes distintas. Os ‘Primórdios da Neurologia’, que versa práticas ancestrais relacionadas com o padecimentos ou comportamentos hoje atribuíveis aos sistema nervoso; ‘A Neurologia Portuguesa da Idade Média à Renascença’; ‘A Neurologia Portuguesa da Renascença ao Liberalismo’; ‘A Neurologia Moderna em Portugal’; e ‘Expressões da Neurologia Portuguesa Contemporânea’.

Natureza factual

Quando José Pereira Monteiro e Maria Manuela Palmeira convidaram João Fernando Mesquita para participar no livro, este professor achou o projecto “de uma dimensão ciclópica em termos de dificuldade porque não dominava o discurso epistemológico da medicina e pela questão das fontes”. Sendo professor de História da Medicina, João Fernando Mesquita “conhecia alguns casos, sobretudo em matéria distancial em relação ao nosso País, mas estava no ‘mundo das trevas’” quando iniciou o projecto.

Em termos de metodologia, muitos dos capítulos desta obra “não são de natureza explicativa mas, pela própria natureza da obra, muito factuais e episódicos”, afirma João Fernando Mesquita. Apesar disso, há capítulos nesta obra, como o do ensino médico, em que “para se falar do aparecimento da Neurologia em Portugal como especialidade autónoma foi necessário abordar todo o século XIX português em matéria de reforma de ensino”, entrando num campo mais explicativo da história.

Esta obra, para o professor, “é rigorosa em termos de objectividade e a bibliografia é imensa”. Foi realizada “com muito entusiasmo, de pesquisa muito solitária, mas sempre com apoio” dos outros dois autores. E representa “uma abordagem da história da Neurologia”.

José Pereira Monteiro dirige a Consulta de Cefaleias no Hospital de Santo António, Porto
José Pereira Monteiro dirige a Consulta de Cefaleias no Hospital de Santo António, Porto
Erro humano

No final do evento, José Pereira Monteiro sublinhou que ‘A História da Neurologia em Portugal’ “é particular” porque “é baseada maioritariamente em dados factuais e não de interpretação pessoal dos dados”; “termina antes de os autores serem protagonistas”; e “não é a história oficial de uma entidade ou organização mas aquilo que se conseguiu coligir”. O autor refere que houve o cuidado de “colocar a transcrição dos textos originais até para permitir que qualquer outra pessoa possa ter um raciocínio diferente sobre os factos”.

O médico acrescentou ainda que “ao transcrever factos e interpretações dos próprios intervenientes de cada uma das épocas”, o livro “transmite uma ideia do erro humano, da interpretação errada, do excesso de confiança dos médicos”. Assim, o que se pode verificar, é que “ao longo dos tempos, os conceitos foram variando, as atitudes anteriores passaram a ser inapropriadas e até, muitas vezes, prejudiciais”. Desta forma, “os leitores de hoje, ao lerem esta obra, vão ter um sentimento de humildade porque hoje aquilo que fazemos que achamos muito desenvolvido, daqui por alguns anos pode estar errado”.
Maria Noémi Sousa
2011-08-17
15:03
Estou interessado em adquirir este livro. Onde posso compra-lo?
Desde já o meu muito obrigada

Adicionar comentário:

Comentário
Nome:
Email:
Insira as letras na caixa
Ciência Hoje não publica comentários anónimos. Ciência Hoje só publica comentários identificados com nome e email para eventual posterior contacto. Ciência Hoje recusa publicar comentários insultuosos ou ataques pessoais.

Últimas notícias

Tristeza permanece mais tempo do que outras emoções

Refrigeração magnética dá prémio internacional
a jovem cientista português

Fantasias sexuais: você é normal?

Maria Machado, do CIIMAR, com o melhor poster
na Conferência Europeia de Aquacultura

Detectar metástases pela axila e usar estímulos elétricos para recuperação motora

Crianças com melhor coordenação motora
apresentaram melhores resultados em tarefas cognitivas

Vai um queijo da Serra da Estrela com flor de castanheiro?

Nasce o maior instituto de investigação
em astrofísica de Portugal

Universidade de Aveiro «exporta» pastéis de nata

Como «infectar» as células vizinhas normais
tornando-as cancerosas

Mais mulheres menos cancro da próstata?

UMinho desenvolve método
para a libertação direccionada de fármacos

Para acabar (de vez?) com a turbulência nos aviões

Investigadores descobrem como os micróbios
constroem um poderoso antibiótico

Investigadora do CEDOC vence prémio FAZ Innovate Competition

UMinho cria gestor de exames à la carte

How tilapias use urine to attract females

UC participa solução inovadora
de apoio a pacientes em reabilitação cardíaca

Novos métodos para manter a qualidade das batatas

Cunha-Vaz distinguido com Prémio Albert C. Muse

Bactéria da flora intestinal de mosquitos
pode bloquear transmissão de malária e dengue

Subvalorizar o Ébola é crime!

Pepinos do mar já podem ser produzidos em aquacultura

A Ciência na educação pré-escolar

A guerra dos espermatozóides

O Viagra protege o coração para além do quarto

Premiado dispositivo portátil
para recuperar lesões desportivas

Aí está o andarilho inteligente motorizado
com «marca» portuguesa

Ajuda de emergência para «overdoses»

Investigadores portugueses abrem novas possibilidades
no desenho de vacinas contra o cancro