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Novo sistema de identificação de espécies

DNA dos organismos incluído na biblioteca de Códigos de Barras da Vida

2012-03-27
Filipe Costa.
Filipe Costa.
Está a nascer um sistema de identificação de espécies celulares com base no exame de uma pequena porção do DNA dos organismos. O Consórcio para o Código de Barras da Vida conta com mais de 200 instituições de 50 países. O seu principal programa é o iBOL – International Barcode of Life, no qual Portugal é representado pela Universidade do Minho (UMinho).

As metas são criar a biblioteca mundial de códigos de barras de DNA das espécies, agilizando o conhecimento taxonómico dos organismos e, desse modo, auxiliando o controlo da autenticidade de alimentos, a detecção facilitada de pragas agrícolas, o controlo rápido de produtos na chegada às alfândegas, a bioprospecção e a conservação e monitorização da biodiversidade. “Conhecemos dois milhões de espécies, mas estima-se que haja cinco vezes mais; há um trabalho titânico por fazer", segundo avançou Filipe Costa, docente do Departamento de Biologia da Escola de Ciências da universidade minhota.
A instituição alberga amanhã, a partir das 9h30, a sessão pública de encerramento do projecto LUSOMARBOL – Lusitanian Marine Barcode of Life, que faz parte do iBOL. Paul Hebert, criador do conceito “DNA barcodes” e professor da Universidade de Guelph (Canadá), estreia-se em Portugal para revelar os progressos do projecto.

Os avanços tecnológicos vão acelerar a inventariação das plantas, animais, fungos, algas e eucariotas unicelulares, sob pena de muitas espécies se extinguirem antes mesmo de serem descobertas. O termo “DNA barcode” vem em analogia aos códigos de barras de produtos comerciais, ao traduzir num conjunto específico de caracteres a identidade de cada espécie. Prevê-se que o cidadão possa, por exemplo, colocar uma pata de insecto num equipamento e este indicar os atributos biológicos e ecológicos do organismo, de forma fácil, rápida e rigorosa.

Código de barras identifica espécies.
Código de barras identifica espécies.
Vital para a saúde


“O sistema será vital para monitorizar espécies com impacto negativo na saúde humana”, nota Filipe Costa. O investigador representa Portugal no comité científico do iBOL, entre 26 países. Já o Consórcio para o Código de Barras da Vida (CBOL) reúne mais de 200 entidades, como os grandes museus de História natural (Londres, Paris, Smithsonian), universidades, centros de pesquisa e laboratórios governamentais como a Food and Environment Research Agency (Reino Unido).

O cidadão comum tem necessidade premente, num curto período, de identificar espécies e a nova abordagem permitirá várias vantagens, assegura Filipe Costa. No controlo de qualidade dos alimentos caminha-se para que o consumidor possa aferir por exemplo se as espécies dispersas na caldeirada congelada são as indicadas ou se a lata de conserva tem cavala ou sarda. Na bioprospecção espera-se detectar novas plantas com propriedades medicinais. A nível da monitorização, identificar ovos e larvas de peixe quanto à ocorrência, distribuição e época de postura garantirá a avaliação precisa dos mananciais pesqueiros.

Já no controlo de organismos patogénicos e pragas, crê-se na identificação mais eficaz das espécies de mosquitos que transmitem a malária e, entre vários aspectos, no reconhecimento ágil das espécies invasoras que se estão a expandir em vários locais do globo, muitas delas trazidas nas águas de lastro dos navios. Por fim, a chegada dos produtos as alfândegas. A lista de quarentena da UE contém 275 espécies, o que por si só é mais um desafio dos futuros códigos de barras de DNA num comércio cada vez mais global.

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