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Por Palmira Correia

Como aumentar o peito sem próteses e sem cirurgia

2012-06-27
Por Palmira Correia *
Antes e depois da da remodelação mamária
Antes e depois da da remodelação mamária
As novas técnicas do rejuvenescimento e da medicina estética não param de nos surpreender. Uma descoberta recente chama-se Macrolane, o primeiro e único tratamento de remodelação corporal que usa o ácido hialurónico, o mesmo que existe no nosso corpo, daí o risco mínimo de causar reacções alérgicas. 
Depois de ter sido usado em dez milhões de pessoas em mais de 70 países nos tratamentos de estética facial, intervenção que a maioria dos médicos garante ser a mais segura e eficaz nos preenchimentos do rosto, surge agora o mesmo produto para remodelar o corpo de uma forma natural, não permanente, sem recurso a implantes ou enxerto de gordura e sem recorrer a grandes procedimentos cirúrgicos.

Médico Miguel Andrade
Médico Miguel Andrade
O Macrolane baseia-se na patente da tecnologia NASHA (Stabilized Non-Animal Hyaluronic Acid), mais que clinicamente comprovada e muito bem documentada nos tratamentos de estética facial que são usados há mais de dez anos.

"O Macrolane é indicado para remodelação mamária, incluindo aumento, correcção de deformidades após lipoaspirações, aumento de volume das nádegas, aumento de volume dos gémeos e remodelação corporal em situações de deformidade torácica", afirma o cirurgião plástico, Miguel Andrade, responsável da clínica Faccia, uma das poucas em Portugal a usar o novo tratamento.

Para o especialista, a principal vantagem do Macrolane é ser menos invasivo que uma cirurgia. "Não tem as desvantagens do pós-operatório porque o tratamento faz-se com uma única picada de uma agulha um pouco mais grossa, através da qual se introduz o produto. Também não é necessária anestesia geral. O procedimento é efectuado sob anestesia local e demora entre 30 a 90 minutos, dependendo do local e quantidade de gel a injectar", explica o médico para acrescentar que qualquer mulher pode fazê-lo à hora do almoço e à tarde ir trabalhar com um soutien um número acima.

Palmira Correia vai colaborar com Ciência Hoje na área da saúde
Palmira Correia vai colaborar com Ciência Hoje na área da saúde
A maior desvantagem é, segundo Miguel Andrade, o preço. "Cada aplicação pode custar mais de três mil euros (conforme a quantidade de gel utilizado) e dura entre 12 a 18 meses porque o produto vai sendo absorvido pelo corpo. Após este período convém fazer uma nova aplicação para manutenção dos resultados."

Apenas os profissionais/cirurgiões plásticos que efectuaram a formação específica com Macrolane podem efectuar este tratamento.

Segundo Miguel Andrade, as candidatas não param de aumentar. De Maio a Setembro a Clínica Faccia fez 28 remodelações mamárias com Macrolane, o que dá uma média de 5,6 procedimentos/mês, contando com o mês de férias. Na mesma clínica realizaram-se no ano passado em média 15 mamoplastias de aumento/mês.

"Há mulheres que querem fazer uma mamoplastia mas têm dúvidas em relação ao resultado. Então recorrem ao Macrolane como teste para ver se gostam de ter um peito maior, o que é absolutamente possível porque nós adaptamos o tamanho com mais ou menos produto", sublinha o médico.

* Jornalista
Diana Barbosa
2012-06-27
17:46
E que tal demonstrar um pouco de imparcialidade e entrevistar alguém que não seja o comerciante do produto? Talvez um outro cirurgião ou um cientista que comprove (ou desminta) as alegações que quem tem, nitidamente, um interesse na notícia.
Desconheço técnicas médicas "mais que clinicamente comprovadas", só as clinicamente comprovadas com publicação em revistas com revisão pelos pares.
Essa informação seria interessante.
A divulgação da ciência exige uma descodificação e não se espera que o artigo esteja cheio de referências bibliográficas, mas alguma seriedade impõe-se. Desta forma, o artigo não teria tanto o aspecto de "infomercial".
Resta dizer que o uso generalizado de um procedimento não garante a sua eficácia ou segurança (esta é a falácia do apelo à popularidade, tão amiga daqueles que tentam vender o seu produto).
Jorge Massada
2012-06-27
19:23
Onde está a falta de seriedade? O «comerciante» do produto é necessariamente um charlatão? O currículo de Miguel Andrade - que é público - não aponta nesse sentido. O facto de exercer uma actividade privada faz dele um suspeito? As informações dadas na notícia são falsas?
Pedro Coutinho
2012-06-27
22:43
Jorge Massada, as tuas perguntas serão obviamente respondidas com a implementação do sugerido pela Diana Barbosa.
Curioso, não é?
Bárbara
2012-06-28
16:35
Esta técnica já não é novidade nenhuma, já é aplicada há alguns anos em Portugal.
Existem vários testemunhos, que por vezes falam dos resultados na televisão.
Diana Barbosa
2012-06-28
17:48
Bom, o Sr Pedro Coutinho já lhe deu uma boa resposta às perguntas que me dirige...e o meu comentário feito ontem parece ter desaparecido nos interstícios da Internet.
Mas, já agora, acho que devo responder também.
Começo por pedir que me aponte onde é que eu menciono a falta de seriedade, já que o que eu aponto é a falta de imparcialidade.
E para perceber a que me refiro, sugiro-lhe que faça uma leitura da página de notícias da Nature. Verá que na grande maioria (para não me arriscar a dizer em todas), para além da versão contada por aqueles que fazem a descoberta ou propõem uma nova técnica, são sempre pedidos comentários (positivos ou negativos) a outros especialistas da área, mas não relacionados.
E foi isso que aqui falhou redondamente.
Apelos à autoridade também não são válidos.
Não sou jornalista, mas como consumidora (e cientista) facilmente percebo que não devo só ouvir quem está a vender um produto.
Isso não põe em causa a honestidade do vendedor. Ele está a cumprir o seu papel, vender o produto. E o papel do jornalista, qual é?
Jorge Massada
2012-06-28
18:09
Penso existir aqui muita confusão. E não entendo a questão da falta de parcialidade. Do que se fala nesta reportagem é de uma intervenção que não foi descoberta pelo médico entrevistado. Existe profusa informação na Net. Não tenho conhecimento de que tenha havido qualquer acção ou movimento a contrariar este tipo de intervenção. Não conheço o jornalismo que «obriga» a que todas as notícias sejam «contraditadas». Não tem sentido a comparação com a Nature. O que se passou tão-somente foi o facto de a Palmira Correia considerar interessante - e eu também considero - informar sobre um tipo de tratamento alternativo à cirurgia nomeadamente no caso da mama. Resolveu falar com um médico que deu esclarecimentos sobre o assunto. Por que teria de falar com outro médico a confirmar ou desmentir? Comentários sobre isto? Todos os que vierem e ajudem a esclarecer. Mas ainda não tive qualquer comentário a dizer que esta técnica é «anti-científica», a dizer que se trata de charlatanice ou que são falsas as informações dadas. Se tiver conhecimento disso espero que mo faça chegar.
maria
2012-06-29
22:16
O ácido hialuronico não é recomendado para preenchimento do peito desde 2011!!!
é inadmissível estarem a colocar aqui esta notícia e a incentivar este método que só serve para os médicos ganharem dinheiro facil (porque não dura nada!)
Está provado que pode prejudicar na detecção de cancro da mama, pelo que, o INFARMED não recomenda que se use!
Pesquisem na net por: "acido hialuronico" pode dificultar mamografia
Diana Barbosa
2012-06-30
20:01
Sim, efectivamente existe aqui muita confusão.
Se não entende a questão da falta de imparcialidade, isso gera confusão.
Está seguramente a ter também algum problema com o sistema informático de processamento de comentários.

Como já referi noutro local, não compete ao leitor averiguar se a informação prestada na notícia é falsa ou não. No entanto, e perante a sua insistência, bastou-me uma pequena busca no Google para obter estas referências bibliográficas que contradizem a informação prestada na notícia.

Chaput B. et al. (2012) France Prohibits the Use of Macrolane in Aesthetic Breast Augmentation for Reasons Similar to Criticisms of Autologous Fat Grafting to the Breast.Aesthetic Plast Surg. Mar 22. [Epub ahead of print]

van der Lei B. (2011) Macrolane: a safe alternative for breast augmentation? J Plast Reconstr Aesthet Surg. 64(6):729-30

Chaput B. et al. (2011) Macrolane(®), a too premature indication in breast augmentation. Focusing on current knowledge of the product. Ann Chir Plast Esthet. 2011 56(3):171-9

McCleave M.J.(2010) Is breast augmentation using hyaluronic acid safe? Aesthetic Plast Surg. 34(1): 65-8
Abstract: Macrolane, a compound composed of hyaluronic acid, is the newest product to be marketed for breast augmentation. Like many previous breast augmentation products, Macrolane has been authorised for use with very little published scientific data on its safety and efficacy in breast augmentation. This article reviews the evidence available on the safety of using hyaluronic acid and raises concerns with regard to its use as a product for breast augmentation, the technique recommended for its use, and the authorisation process for new implantable medical devices. It is strongly recommended that clinicians review the lack of data on Macrolane before offering it as a treatment option to patients.



A técnica está proibida em vários países por falta de estudos clínicos que comprovem a sua segurança.
E um dos estudos acima conclui o seguinte:
"The Macrolane(®) is proposed as an alternative less invasive than breast implants. Nevertheless the lack of scientific data on this product led to its non approval by the Food and Drug Administration in the United States. Currently there remains too much uncertainty on this filler for reasonable use plebiscite. It would therefore be preferable to return to the manufacturer the burden of proof of Macrolane(®) safety and security and limit its use in clinical trials yet."

Uma simples referência a estas preocupações legítimas seria suficiente para que o artigo deixasse de parecer uma publirreportagem e não gerasse tanta confusão.
Jorge Massada
2012-06-30
20:09
Lembro que o ácido hialurónico é usado em medicina há dezenas de anos e pelo menos desde os anos 70 em cirurgia oftalmológica. Embora a FDA não o tenha até agora aprovado para efeitos de aumento da mama, autorizou-o para a cirurgia cosmética em 2003. Que eu saiba esse uso é permitido na Europa. E mesmo o INFARMED, em 9/11/2011, alertando para a possibilidade de poder ter impacto na mamografia como exame complementar de diagnóstico, escreve o seguinte:


Perante o exposto, e como medida preventiva, o Infarmed recomenda que se atente às precauções de utilização preconizadas pelos fabricantes destes produtos, designadamente:

- É essencial a realização de um exame mamário completo prévio à administração deste tipo de produtos e um seguimento anual igualmente rigoroso, em conformidade com a directizes e normas clínicas aprovadas;
- As pacientes devem ser informadas para seguirem os procedimentos de rastreio normais de cancro da mama, conforme recomendado pelo respectivo médico ou autoridades de sáude locais;
- A administração do produto deve ser efectuada por médico especialista habilitado para o efeito;
- As pacientes devem informar o radiologista sobre os respectivos implantes mamários realizados, antes de efectuarem a mamografia;
- Caso se verifiquem dificuldades ao nível da interpretação da mamografia, poderá ser realizada ecografia mamária ou ressonância magnética com vista à obtenção de informação de diagnóstico adicionais.
Jorge Massada
2012-07-01
19:10
O comentário assinado mais acima por «Maria» não corresponde ao teor do comunicado do INFARMED. Independentemente de não desconhecermos a influência da Comunicação Social, nós não incentivamos, informamos.

Não é verdade que o ácido hialurónico «não seja recomendado» desde 2011. Se assim fosse não faria sentido a seguinte recomendação: «A administração do produto deve ser efectuada por médico especialista habilitado para o efeito».

O INFARMED alerta, sim, para a possibilidade de dificultar a interpretação do exame radiográfico do tecido mamário (mamografia).

Para que não haja dúvidas sobre o que aqui afirmo transcrevo na íntegra o comunidado do INFARMED:

Circular Informativa N.º 228/CD Data: 09/11/2011


Para: Divulgação geral

Contacto no Infarmed: Centro de Informação do Medicamento e dos Produtos de Saúde (CIMI); Linha do Medicamento: 800 222 444; Tel. 21 798 7373 Fax: 21 798 7107; E-mail: cimi@infarmed.pt


A administração de gel injectável à base de ácido hialurónico tem sido utilizada para melhoramento do volume e contorno da superfície corporal, e preenchimento de deformidades localizadas. É uma prática muito utilizada no contexto da Cirurgia Plástica e/ou Reconstrutiva.

Mais recentemente, para além da administração em zonas corporais como nádegas, lábios, rosto, etc. verifica-se que se encontram disponíveis no mercado europeu alguns produtos que se destinam também a ser aplicados na mama.

Sobre esta mais recente utilização, têm vindo a ser realizados vários estudos sobre a segurança destes produtos e sobretudo sobre o impacto da administração destes géis no tecido mamário no âmbito do rastreio das patologias mamárias, nomeadamente quando se utiliza a mamografia como exame complementar de diagnóstico.

Sendo o ácido hialurónico um produto reabsorvível num prazo médio de 12 meses, é frequente a aplicação repetida/periódica deste tipo de produtos, o que se revela um gesto invasivo e traumático, susceptível de causar inflamação local.

No caso em concreto da administração de injecções repetidas no tecido mamário estão descritas na literatura científica a formação de nódulos capsulados. A presença deste tipo de nódulos poderá dificultar a interpretação do exame radiográfico do tecido mamário (mamografia).

Perante o exposto, e como medida preventiva, o Infarmed recomenda que se atente às precauções de utilização preconizadas pelos fabricantes destes produtos, designadamente:

- É essencial a realização de um exame mamário completo prévio à administração deste tipo de produtos e um seguimento anual igualmente rigoroso, em conformidade com a directizes e normas clínicas aprovadas;
- As pacientes devem ser informadas para seguirem os procedimentos de rastreio normais de cancro da mama, conforme recomendado pelo respectivo médico ou autoridades de sáude locais;
- A administração do produto deve ser efectuada por médico especialista habilitado para o efeito;
- As pacientes devem informar o radiologista sobre os respectivos implantes mamários realizados, antes de efectuarem a mamografia;
- Caso se verifiquem dificuldades ao nível da interpretação da mamografia, poderá ser realizada ecografia mamária ou ressonância magnética com vista à obtenção de informação de diagnóstico adicionais.

O Conselho Directivo
Helder Mota Filipe

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