Alentejo ‘esquecido’ atrai imigrantes
Tranquilidade e segurança reforçam desejo de permanência, diz estudo

Nestas regiões existem dois grupos bem marcados. O primeiro é constituído por “imigrantes do norte e centro da Europa (Reino Unido, Alemanha, Países Baixos, etc.) que compram imóveis, pequenas hortas e quintas que recuperam e onde vivem”, afirma Fátima Velez de Castro, investigadora responsável pelo estudo. Uma parte destes são reformados, a outra indivíduos em idade activa que trabalha por conta-própria (agricultura mediterrânica e turismo). “Há uma grande concentração nos concelhos, sobretudo nas freguesias do Parque Natural da Serra de S.Mamede” e o papel dos imigrantes aqui “tem sido fundamental para a manutenção e valorização do património natural e construído”.
Segundo a investigadora do CEGOT, são as características do território que fazem os imigrantes permanecer e reforçar este desejo de permanência. “A qualidade ambiental, a tranquilidade, a segurança, a par da disponibilidade de emprego, proximidade de familiares e baixo custo da habitação são os factores mais indicados”. Curiosamente, enquanto que para muitos portugueses o despovoamento é um problema premente, para estes imigrantes “as baixas densidades populacionais são encaradas como um factor atractivo, uma vez que a fraca concentração de indivíduos imprime um carácter de tranquilidade à região”.
O estudo de Fátima Velez de Castro é o primeiro do género realizado em Portugal e foi desenvolvido ao longo dos últimos cinco anos. “O tema resultou de uma necessidade, uma vez que, do ponto de vista geográfico, a grande maioria dos estudos sobre migrações em Portugal e Espanha é realizado em áreas urbanas”.
O conhecimento do território e de quem está no território é, segundo a investigadora, “essencial” por parte dos decisores políticos e dos investidores. “É importante conhecer estes imigrantes, os seus problemas e potencialidades para se poder actuar tanto na esfera das respostas, como das demandas, sobretudo dos imigrantes que têm capacidade de investir”, justifica.
Assim, os próximos passos passam por continuar a fazer investigação em regiões de baixas densidades pois estas apresentam aspectos desconhecidos dos académicos e da população em geral. E “são territórios que têm muito para dar ao País”, sublinha.
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