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Descobertas no Alentejo estatuetas com mais de 4 000 anos

Ídolos em marfim achados no Complexo Arqueológico dos Perdigões

2012-08-09

Estatueta encontrada no Complexo Arqueológico dos Perdigões
Estatueta encontrada no Complexo Arqueológico dos Perdigões
Um importante conjunto de ídolos em marfim está a ser estudado por arqueólogos no Complexo Arqueológico dos Perdigões, próximo de Reguengos de Monsaraz. Estas estatuetas, que se encontraram numa área de acumulação de restos humanos cremados, são raras na Península Ibérica e apareceram agora, pela primeira vez, em Portugal.

Os Perdigões são um complexo arqueológico que abrange uma área de 20 hectares. É composto por vários recintos delimitados por grandes fossos (estruturas escavadas na rocha), com necrópoles e um cromeleque de menires associado, que teve início no final do Neolítico (há 5500 anos) e durou até ao início da Idade do Bronze (há 4000 anos).

O sítio terá representado um papel importante para as comunidades que habitavam aquela área na Pré-História e seria, provavelmente, um local utilizado para a prática de cerimónias rituais relacionadas com o culto dos mortos e dos antepassados.

Mundo em transformação

Um dos aspectos mais significativos nos Perdigões é a presença de contextos funerários de cremações humanas datados de há 4500 anos, práticas funerárias consideradas pouco comuns na época e que levantam interessantes questões sobre as visões do mundo e do ser humano que estariam em transformação.

É nestes contextos de cremações humanas que tem sido descoberto este conjunto de estatuetas antropomórficas em marfim. Apesar de serem conhecidas noutros contextos do sul peninsular, aparecem pela primeira vez em território nacional.

O seu significado é assunto de debate entre os especialistas. Tanto podem representar divindades, pessoas ou estatutos sociais concretos, grupos de identidade ou parentesco. Estas peças e os problemas científicos que levantam serão apresentadas este ano em dois colóquios internacionais a realizar em Espanha e na Finlândia.

As investigações em curso estão a cargo do Núcleo de Investigação Arqueológica da ERA Arqueologia e são financiadas pelo Esporão, pela ERA e por um projecto da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Local descoberto durante plantação de vinha

O sítio arqueológico foi descoberto quando o Esporão adquiriu a Herdade dos Perdigões para plantar vinha, actividade que já realizava na vizinha Herdade do Esporão. Nesse processo foi descoberta a configuração arquitectónica do antigo local, facto que levou o Esporão a interromper a plantação nessa área e a apoiar o projecto científico. As novas descobertas irão integrar o Núcleo Expositivo do Complexo Arqueológico dos Perdigões, na Torre da Herdade do Esporão, que estará aberta ao público. As novas descobertas têm levado os arqueólogos a concluir que este local era de grande importância. É, actualmente, o sítio arqueológico que está a ser estudado há mais tempo sem interrupções em Portugal.

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