Diana Marques e os esqueletos
do Museu de História Natural de Washington
A mais conhecida ilustradora científica portuguesa explica
o seu projecto de doutoramento ao «Ciência Hoje»

Com um curriculum vasto, no qual se inclui o convite para a concepção da colecção de selos para 2012 da ONU, Diana Marques inscreveu-se num doutoramento recente promovido pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e a Universidade do Texas – Austin.
“O doutoramento promove a oportunidade de ir ao Texas fazer um semestre e investigação. Fui lá uma semana para uma 'visita exploratória', conhecer alguns professores, mas o que se estuda lá não ia de encontro aos meus interesses. Como já tinha trabalhado em no Museu de História Natural de Washington, surgiu esta oportunidade de voltar e era mesmo isto que queria fazer”, confessa.
A ilustradora vai trabalhar num projecto de realidade aumentada que “combina o mundo real com o virtual através do interface digital”, explica. No museu “existe uma grande colecção de esqueletos de vários tipo de vertebrados – mamíferos, aves peixes repteis e anfíbios – que se encontram dividios por várias salas”.
É com esta colecção 'histórica', que foi transferida no início do século XX do primeiro museu nacional dos EUA para este, que Diana Marques vai trabalhar. “O que vamos fazer é acrescentar uma camada digital a estes esqueletos”.
Com os seus dispositivos móveis – tablets ou smartphones – os visitantes do museu poderão “activar para alguns esqueletos uma experiência de realidade aumentada. Através do ecrã da câmara do seu dispositivo podem ver o esqueleto e, simultaneamente, os conteúdos que serão produzidos”.

O projecto de doutoramento envolve também uma parte de investigação. “Vou estudar como as pessoas recebem esta ferramenta; estudar as várias formas de contar as história para cada esqueleto, aproveitando a questão das narrativas digitais. Vai ser uma experiência nova. É uma área que está agora a despoletar nos museus e será interessante perceber qual a receptividade destas formas de interacção”.
Interesse pela ilustração científica está a aumentar
Como professora de mestrado na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e formadora em workshops (como no Borboletário - ver caixa), Diana Marques considera que o interesse pela ilustração científica tem aumentado nos últimos anos. Isso resulta “do crescimento do número de profissionais a actuar na área e de uma maior disponibilidade de aulas”.
Desde há 25 anos que “há um trabalho continuado de várias pessoas como o Pedro Salgado, Fernando Correia, Nuno Farinha, eu própria. Há este esforço de divulgar, mostrar, promover cursos. Por isso começa a haver um maior conhecimento sobre o assunto”.
Há também, considera “um maior desenvolvimento da comunicação da ciência em Portugal que resulta de meios de comunicação como o Ciência Hoje, outros jornais ou programas de televisão”. Tem havido igualmente “um crescimento dos gabinetes de comunicação cientifica dentro dos museus e dos institutos de investigação”.
Até dia 2 de Setembro quem se dirigir ao Museu de História Natural e da Ciência (Lisboa) pode ver a exposição «Por Entre Lagartas e Borboletas: trabalhos de ilustração científica». Os trabalhos apresentados resultam do segundo workshop dirigido por Diana Marques no Borboletário do Jardim Botânico. A ilustradora confessa que gosta de dar aulas. “As pessoas têm cada vez mais interesse na ilustração científica. São só quatro dias de workshop, por isso não se pode esperar ver ilustrações de qualidade profissional. Mas é interessante para os visitantes perceberem o que se pode fazer em quatro dias e que a ilustração científica está ao alcance de qualquer pessoa”.
O futuro
Neste momento, Diana Marques tem “toda a energia” colocada em trabalhar nos Estados Unidos e em Portugal. “Gosto muito de dar aulas de desenho científico no mestrado de Desenho da Faculdade de Belas Artes, em Lisboa e tenho muita vontade de continuar a participar em projectos em Portugal”.
Depois deste “grande projecto de doutoramento”, a ilustradora gostava de estar mais ligada a museus ou a institutos de investigação.
“Gosto de trabalhar como free-lancer, mas cada vez mais acho importante esta ideia de missão, de poder trabalhar com objectivos mais definidos e contribuir para o avanço de uma determinada instituição em termos de comunicação com o público. Fazer chegar a ciência às pessoas é para mim o mais compensador. Por isso, será esse um dos meus objetivos futuros”, conclui.
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2012-08-13
13:55