Querer é poder ou de como o cérebro
comanda a motivação
Por Ana Margarida Nunes

* Licenciada em Biologia Microbiana e Genética pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e doutorada em Neurociências pelo King's College London em 2009.

É claro que muitas vezes a motivação está intimamente relacionada com o incentivo, seja monetário ou de cariz mais pessoal. Por exemplo, prestígio social para um atleta de alta competição ou simplesmente ambicionar entrar na faculdade ou ter no futuro uma carreira profissional bem sucedida.
E se eu vos disser que no cérebro existe uma pequena estrutura que comanda a motivação? Que comanda tanto o “esforço mental” como o “esforço físico”? Pois é, chama-se Estriado Ventral. Esta região é muito pequena e encontra-se mesmo no meio do cérebro! Os neurónios desta região, recebem informação do córtex (área onde desenvolvemos o “esforço mental”, o desejo “vou ser um profissional de sucesso”) e enviam esta informação para uma região do córtex motor (responsável pela acção: “O que vou fazer para me tornar um profissional de sucesso?”).

Quer assim parecer-me que vale a pena estar motivado pelo trabalho/estudo quando se tem um objectivo em mente e se está focado. Vale a pena procurar o “nosso incentivo pessoal”, o que nos mantém naquele trabalho. Pode ser por estarmos à procura de um trabalho melhor, pode ser por termos as contas para pagar e precisamos estar «ali» até tudo melhorar, mas também pode ser por termos um plano B de um dia montar um negócio. Precisamos de trabalhar para ganharmos competências e evoluir sempre em direcção ao nosso foco, ao nosso “esforço mental”.
A minha experiência, que não é muita, diz-me que mantendo o foco rumo ao meu desejo, tudo à volta pode estar a desmoronar-se, mas eu sei porque estou naquele caminho, porque tenho um propósito pessoal comigo mesma! E estou motivada! E nisso o meu cérebro ajuda-me porque eu quero.
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2012-09-07
07:45
Mas quando nós chegamos a um hospital, e enfrentamos um médico com uma expressão facial e um comportamento desumano,como é normal, aqui em Portugal (falo de Portugal que é um pais que conheço). Quando temos um sistema de saúde que faz os doentes estar a penar horas e horas por razões administrativas e não por razões médicas, que ainda por cima prejudicam a produtividade nacional (quem está ali não está a trabalhar, está a penar), essas forças psicológicas, essas motivações, neste caso para facilitar a cura, vão todas embora (a organização, em certos países da Europa não é assim, funciona!).
Um médico que se mostre desumano ao doente, assusta, estraga todas as boas técnicas que os senhores investigadores gastam tantas horas para investigar. Precisamente porque faz entrar o doente em desamparo e paralisar.
2012-09-07
12:27
Vou ser melhor porque quero ser melhor. Não me motiva a comparação. Motiva-me a melhoria da minha realidade trabalhando o sonho e a ilusão. Não para ser melhor do que algo que não conheço. Apenas para melhorar o que tenho.
Muito simples mas desmesuradamente complexo.
Com muito ou pouco estudo neurológico ou psiquiátrico o importante é o saber. Saber-saber para saber-ser para saber-estar.
Este é o cerne da questão. A pedra de toque. Onde a sociedade mais falha. Simplesmente para sermos felizes.
:)
2012-09-07
18:04