A multiplicidade do ser está na linha da memória
Artista plástica lusa inaugura exposição de arte inspirada em Biologia

O tema da mostra «Um, Nenhum e Cem Mil» é baseado na memória, especialmente inspirado numa última descoberta que atesta que a cada vez que lhe fazemos apelo, esta se vai alterando, ou seja, “cada vez que lembramos, as sinapses vão mudando”, refere ao jornal «Ciencia Hoje».
“Quando formamos memórias, há uma quantidade de informação que é guardada conscientemente, por exemplo, se conhecemos alguém queremos lembrar o seu nome, o seu rosto, etc. e, outra parte, é lembrada de forma aleatória, como a cor do seu casaco; existe também informação que vamos perdendo”, assevera.

“A biologia da memória reverte para lembranças de momentos descontínuos, é episódica e plástica (manipulável)”, acrescenta Joana Ricou, referindo ainda que a imagem mostra no fundo “momentos neutros de passagem do tempo”, ou seja, “um determinado segundo e o seguinte e o seguinte, ou seja, informações que estamos a tentar guardar e que muitas vezes se perde durante o processo de transferência”.
Segundo a artista portuguesa, são representações de quando “tentamos ligar um momento a outro num esforço contínuo e a forma como lidamos com a descontinuidade da memória, quando olhamos para trás, para o passado ou nos agarramos ao futuro por não querermos lidar com o presente, por exemplo”, conclui.
Apelar à memória sobre gravilha

O Memory Lane é representado por um caminho feito em gravilha e nesta instalação as pessoas são convidadas a caminhar sobre o piso enquanto relembra. À medida que vão andando, a gravilha vai-se alterando – o que remete para o próprio processo de alteração e manipulação da memória.
A exposição conta também com artistas convidados – um vídeo-performance de Beatriz de Albuquerque, artista portuguesa a residir em Nova Iorque, o vídeo-documentário «The Orpheus Variations», criado pelo «The Desconstructive Theatre Project», sob a direcção de Adam J. Thompson e Upside Duck, de Glenn Wonsettler. Sobre o tema da memória, destaca-se ainda a presença do filme de João Chaves, «In-perfect Memory (giving birth to a world)».
Para além da peça multimédia, os trabalhos são em madeira, óleo e papel e podem ser vistos de segunda a sexta-feira, das 14h às 20h e ao sábado das 12h às 16h.
Joana Ricou deixou de lado a investigação e trabalha agora como artista plástica e comunicadora de ciência. No entanto, todos os seus projectos estão ligados às últimas descobertas científicas - o que a mantém em contacto com área e com investigadores com quem vai trocando impressões.
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2013-02-08
00:25