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Inovar e mudar o meio prisional parece ser possível

Paula Vicente coordenou um projecto de inovação
e mudança organizacional em cinco Estabelecimentos Prisionais

2013-02-05
Por Sara Pelicano
Paula Vicente, coordenadora do trabalho
Paula Vicente, coordenadora do trabalho
Pessoas, inovação, processos e resultados foram os quatro pilares da investigação “Inovação e gestão da mudança em meio prisional - Uma experiência em cinco Estabelecimentos Prisionais (EP) portugueses” (Leiria, Beja, Sintra e Castelo Branco, na altura com dois EP).
O trabalho desenrolou-se entre 2005 e 2009 e permitiu a “melhoria das competências e do nível de motivação dos profissionais, o aumento da satisfação com o clima organizacional e uma cultura mais orientada para as pessoas, para a inovação e menos hierárquica”, explica a coordenadora do trabalho, Paula Vicente, na altura, directora do Centro de Estudos e Formação Penitenciária da Direção Geral dos Serviços Prisionais.

“O trabalho focalizou-se sobretudo na inovação organizacional e gestão da mudança, com o objetivo de desenvolver competências, partilhar valores e promover o alinhamento e a coesão entre os profissionais, investir na melhoria da ressocialização da população reclusa e no aumento de parcerias com a sociedade civil, redesenhar processos críticos e, por fim, medir e comparar desempenhos”, explica Paula Vicente.

Entre várias atividades, os resultados foram alcançados com iniciativas como “As Cafetarias do Conhecimento”. Os bares monocromáticos e pouco atraentes dos EP foram transformados em espaços acolhedores, com um design facilitador da partilha, envolvendo todos os grupos profissionais.

Os bares dos EP's foram transformados em locais acolhedores e de partilha.
Os bares dos EP's foram transformados em locais acolhedores e de partilha.
“Os bares passaram a ser também espaços para a realização de reuniões abertas e criativas, apresentações temáticas, workshops formativos. Privilegiou-se o ambiente de coesão entre os diferentes grupos profissionais. Acreditamos que esta actividade contribuiu para um ambiente de empowerment na organização, de partilha e coesão entre os diferentes grupos profissionais”,
adianta Paula Vicente.

“Empreendedorismo para a reinserção social da população reclusa” foi outras das iniciativas levadas a cabo. Neste caso, pretendia-se “criar opções viáveis e sustentáveis de reinserção socioprofissional de reclusos e evitar a sua reincidência na prática de crimes”. Foram transmitidas noção de empreendedorismo, treino de resolução de problemas e tomada de decisão, foram dadas ferramentas para planeamento de um negócio e definição de um projecto de vida, entre outros, conhecimentos que facilitassem a vida fora dos EP’s.

Paula Vicente sublinha que teve conhecimento de alguns casos de sucesso. A entrevistada avança que “a reacção dos reclusos a esta iniciativa foi muito positiva”, mas apontou áreas de melhoria.

“Sabemos que há falta de apoio depois da saída da prisão, esse terá sido um dos aspectos mais referidos por alguns reclusos(as). É também muito importante que a formação em empreendedorismo seja acoplada à formação escolar e profissional”, pormenoriza.

A iniciativa
A iniciativa "Um dia na Prisão" permitiu que jovens tivessem a mesma vivência dos reclusos
Por fim, o trabalho “Inovação e gestão da mudança em meio prisional” levou jovens estudantes a ter a experiência de recluso por um dia. Com esta iniciativa pretendia-se “sensibilizar os jovens para o exercício de uma cidadania responsável e prevenir a criminalidade”.

“Um dia na prisão” começa por levar os professores aos estabelecimentos prisionais para obterem formação. Numa segunda fase, os jovens deslocam-se às prisões para terem uma “experiência simulada de privação da liberdade, com vivências idênticas às de um recluso”. A iniciativa termina nas escolas, com actividades que visam a consolidação da aprendizagem.

“Desta iniciativa resultou um livro com o mesmo nome ‘Um dia na prisão’ que integra um manual para os professores que os orienta no trabalho subsequente ao dia na prisão”, pormenoriza a coordenadora do trabalho.

Paula Vicente afirma que a experiência de coordenar este projecto “foi muito rica” o que a levou a apresentar um relatório profissional sobre o mesmo para obtenção do grau de mestre em Gestão e Políticas Públicas. Actualmente, exerce funções no Instituto de Gestão do Fundo Social Europeu.

Contacto pelo Ciência Hoje, o Ministério da Justiça diz não ter conhecimento do relatório profissional “Inovação e gestão da mudança em meio prisional - Uma experiência em cinco Estabelecimentos Prisionais (EP) portugueses”.
kimarques
2013-02-05
21:08
Resultará sempre em benefício para quem se encontre isolado da sociedade, melhorar significativamente as condições do ambiente.
Mas,uma sociedade em eterna competitividade ao nível individual e em que as regras representam empecilhos para evitar desvios que dão lucros, só pode contribuir para o aumento da criminalidade.
O resultado assemelha-se àquele que se consegue esgotar um rio tirando água com um balde furado.
c S Rocha
2013-02-06
19:29
Houve o caso de um jovem que ao visitar uma destas prisões, perguntou à diretora se, mesmo sem cometer nenhum crime, poderia lá ficar, pois onde vivia não tinha aquelas condições.

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