Receba as notícias:

Investigadores conseguem desactivar 'neurónios do frio'

Estudo abre caminho para o desenvolvimento de novos fármacos analgésicos

2013-02-13
Os ratinhos deixaram de sentir frio mas não ficaram insensíveis ao calor
Os ratinhos deixaram de sentir frio mas não ficaram insensíveis ao calor
Cientistas da Universidade da Califórnia do Sul (EUA) conseguiram desactivar selectivamente a sensibilidade ao frio em ratinhos de laboratório, mantendo a sensibilidade ao calor e às sensações tácteis.

Em trabalhos anteriores tinha-se já percebido que a proteína TRPM8 – canal presente nas células nervosas – era a responsável pela sensação de frio. Esta proteína que se expressa em neurónios sensoriais activa-se com temperaturas baixas e com agentes químicos refrescantes, como o mentol, gerando a resposta correspondente.

Neste novo estudo, publicado no «Journal of Neuroscience», os investigadores conseguiram isolar e desactivar os neurónios que expressam a proteína TRPM8, o que lhes permitiu avaliar a acção específica dessas células nervosas.

Os cientistas utilizaram um grupo de controlo de roedores normais e outro com os neurónios TRPM8 desactivados. Colocaram os dois grupos numa superfície com diferentes temperaturas (entre 0 e 50 graus centígrados), onde os ratinhos se podiam mover livremente.

Os cientistas observaram que os ratinhos do grupo de controlo tinham tendência a manter-se em zonas de temperatura temperada (30º centígrados), evitando tanto as zonas de frio como as mais quentes. O outro grupo apenas evitava as regiões mais quentes. Segundo os autores, este facto indica que os animais sem essas células nervosas não conseguem sentir frio, apenas calor.

A equipa fez também outro tipo de teste para avaliar a coordenação dos movimentos e as respostas ao tacto, não tendo observado diferenças entre os grupos. Esta descoberta pode ter aplicações indirectas no tratamento da dor, se fosse possível actuar de uma forma semelhante para desactivar os neurónios implicados no processo de dor sem alterar as demais sensações.

O problema dos medicamentos contra a dor é que ou actuam simplesmente para reduzir a inflamação (que é apenas uma das causas) ou eliminam toda da capacidade de sentir”, diz David McKemy, um dos autores. “Um dos nossos objectivos deste estudo é preparar caminho para que futuros medicamentos se dirijam directamente à dor sem deixar o paciente totalmente insensível”, conclui.

Adicionar comentário:

Comentário
Nome:
Email:
Insira as letras na caixa
Ciência Hoje não publica comentários anónimos. Ciência Hoje só publica comentários identificados com nome e email para eventual posterior contacto. Ciência Hoje recusa publicar comentários insultuosos ou ataques pessoais.

Últimas notícias

Fantasias sexuais: você é normal?

Maria Machado, do CIIMAR, com o melhor poster
na Conferência Europeia de Aquacultura

Detectar metástases pela axila e usar estímulos elétricos para recuperação motora

Crianças com melhor coordenação motora
apresentaram melhores resultados em tarefas cognitivas

Vai um queijo da Serra da Estrela com flor de castanheiro?

Nasce o maior instituto de investigação
em astrofísica de Portugal

Universidade de Aveiro «exporta» pastéis de nata

Como «infectar» as células vizinhas normais
tornando-as cancerosas

Mais mulheres menos cancro da próstata?

UMinho desenvolve método
para a libertação direccionada de fármacos

Para acabar (de vez?) com a turbulência nos aviões

Investigadores descobrem como os micróbios
constroem um poderoso antibiótico

Investigadora do CEDOC vence prémio FAZ Innovate Competition

UMinho cria gestor de exames à la carte

How tilapias use urine to attract females

UC participa solução inovadora
de apoio a pacientes em reabilitação cardíaca

Novos métodos para manter a qualidade das batatas

Cunha-Vaz distinguido com Prémio Albert C. Muse

Bactéria da flora intestinal de mosquitos
pode bloquear transmissão de malária e dengue

Subvalorizar o Ébola é crime!

Pepinos do mar já podem ser produzidos em aquacultura

A Ciência na educação pré-escolar

A guerra dos espermatozóides

O Viagra protege o coração para além do quarto

Premiado dispositivo portátil
para recuperar lesões desportivas

Aí está o andarilho inteligente motorizado
com «marca» portuguesa

Ajuda de emergência para «overdoses»

Investigadores portugueses abrem novas possibilidades
no desenho de vacinas contra o cancro

Porquê eu? Muitas mulheres que vivem na pobreza
culpam os filhos e a vida amorosa

O papel dos "oásis" oceânicos nas interacções
entre organismos marinhos