Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010 ![]() |
A violência está de volta a Maputo
- Incidentes voltaram esta manhã a Maputo com carga policial sobre os populares. Pelas ruas da cidade o dispositivo policial é enorme. Pilhagens e pneus queimados pintam o cenário da capital
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COHiTEC 2010 – Das ideias |
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| Pedro Vilarinho |
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| Euclides da Cunha |
No ano de 2007 completaram-se 100 anos de “Contrastes e Confrontos” um livro pouco conhecido de Euclides da Cunha, autor do monumental “Os Sertões”. Se "Os Sertões" é um épico, um misto de diário de viagem, denúncia social, estudo antropológico e romance de uma batalha, escrito por alguém que era, em última análise, um correspondente de guerra, em Contrastes e Confrontos, o que sobressai é uma prosa sofisticada de um viajante, aplicada ao mais fugaz dos escritos, o artigo de jornal. De facto, no livro o que vemos é uma compilação de artigos publicados em jornais brasileiros entre os anos de 1894 e 1905 e publicados em 1907.
*Engenheiro florestal, Dr. em Meio Ambiente e Desenvolvimento - Brasil
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| Monteiro Lobato |
Todo o fervor ideológico nacionalista que surgiu a partir da Revolução de 1930 no Brasil serviu também para realçar a consciência do atraso do país em relação a outros países do mundo. O que os pensadores da época viam eram estados fortes, novas tecnologias, exploração plena dos recursos naturais e sonhavam com um Brasil plenamente desenvolvido.
*Engenheiro florestal, Dr. em Meio Ambiente e Desenvolvimento - Brasil
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| Edson Struminski |
Após os anos 1920, a fórmula liberal se esvazia no Brasil e reflui com a perda de líderes como Rui Barbosa (1849/1923), com a falta de plataformas sociais representativas e com a ascensão de Getúlio Vargas (1883/1954), ao plano nacional. O liberalismo chegou ao fim da República Velha brasileira destroçado, dissociado da evolução do liberalismo mundial e circunscrito ao Estado de São Paulo. Já o antigo conservadorismo católico, remanescente do Império, abandonou as pretensões monarquistas e acabou se nutrindo de vertentes fascistas (integralismo), enquanto o socialismo democrático acabaria o período também com feição autoritária.
* Engenheiro Florestal e doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento, Brasil
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| Edson Struminski |
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| Edson Struminski |
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| Edson Struminski |

O Congresso Internacional dos Matemáticos 2006, que decorreu em Agosto em Madrid, foi largamente dominado pela polémica em torno de Grigori Perelman, o matemático russo que recentemente resolveu a Conjectura de Poincaré, um dos mais famosos problemas matemáticos do século XX. Pela importância do seu trabalho o congresso atribuiu a Perelman uma medalha Fields, o mais prestigiado prémio do mundo da matemática, distinguindo ao mesmo tempo três outros matemáticos --- um alemão, um australiano e um segundo russo. Ao contrário dos outros, porém, Perelman não compareceu à cerimónia e recusou o galardão, o que aconteceu pela primeira vez na história da medalha Fields. Numa entrevista dada posteriormente à revista «New Yorker», Perelman justificou-se dizendo que o prémio «era completamente irrelevante» para ele. «Todos perceberam que se a demonstração está correcta não é necessário nenhum outro tributo».
* Recém-doutorado em matemática em Cambridge.

“Aprender a escrever é, em grande parte, se não principalmente, aprender a encontrar ideias e concactená-las, pois, assim como não é possível dar o que não se tem, não se pode transmitir o que a mente não criou ou não aprovisionou...” (Othon Garcia)
* Ivana Quintão de Andrade é professora de Língua Portuguesa na Faculdade Paraíso, no Rio de Janeiro.

A metacognição surge na literatura científica durante a década de 70 como um discurso de segundo nível sobre a cognição. Isto é, refere-se ao grau de consciência que o aprendiz possui sobre o seu próprio processo de aprendizagem. Até ao momento, tem-se desenvolvido em duas grandes áreas. Por um lado, em estudos básicos visando compreender o processo de aprendizagem. Por outro, de forma mais aplicada, como ferramenta no processo de ensino-aprendizagem.
* Professor Adjunto do Laboratório de Currículo e Ensino; NUTES - Núcleo de Tecnologia para a Saúde; UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro. O artigo é co-assinado por Roberta Pereira Coutinho; Marcos António Gomes Brandão; Viviane Modesto Ferraz


Segundo John Maynard Keynes, as necessidades humanas podem parecer insaciáveis, sejam elas absolutas (aquelas que sentimos seja qual for a situação de existência), sejam elas relativas (aquelas que sentimos caso as satisfações nos impulsionem ou nos façam superiores a nossos amigos). Para ele, “as necessidades de segunda classe, aquelas que satisfazem ao desejo pela superioridade, podem certamente ser insaciáveis, desde o mais baixo até os níveis mais elevados”.
* Pós-graduado em História do Brasil Contemporâneo pela União Pioneira de Integração Social de Brasília com a monografia: “José Antonio Lutzenberger - um estímulo ao movimento ambientalista brasileiro na década de 1970”. jairobras@brturbo.com
ND - Os subtítulos são da responsabilidade de CH

No final dos anos 60 muito já era sabido sobre TDAH, mas a falta de nova evidência ligando a síndrome a bases biológicas começou a criar discussões sobre a existência da síndrome. Muitos acreditavam que o transtorno era uma tentativa de livrar os pais da culpa por filhos mimados e mal comportados. Depois deste período de incertezas, novas descobertas começaram a ser feitas ligando os problemas associados com o TDAH com certos tipos de neurotransmissores.
* Departamento de Neurociências e Comportamento do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo - Brasil
«Todos os consumos são mais elevados no sexo masculino e a classe etária dos 16 e mais anos é a que apresenta uma percentagem de consumidores mais elevada, excepto, no consumo de drogas ilícitas, em que a classe etária com maior percentagem de consumidores, é a dos 13-15 anos, o que é preocupante». Esta é uma das conclusões de um artigo escrito, como primeiro autor, por Amâncio de Carvalho, professor adjunto da Escola Superior de Enfermagem de Vila Real, em co-autoria com outros docentes daquela escola e da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, da mesma cidade. Constituem a equipa do Projecto "Promove a tua saúde".Ciência Hoje publica este trabalho permitindo o seu download em formato PDF que assegura a leitura dos quadros explicativos tal e qual nos foram enviados. Segundo os seus autores, com este estudo, liderado por Maria do Carmo Pires e Sousa, pretendeu-se caracterizar o consumo de substâncias psicoactivas, em 678 alunos do 7º ao 10º ano de escolaridade.


O relógio de Sol não apareceu repentinamente como uma descoberta extraordinária, num determinado momento isolado da história; desenvolveu-se lentamente como consequência do estudo dos movimentos aparentes do Sol na esfera celeste. Basicamente, um relógio de Sol é constituído por um objecto de espessura desprezável (o gnómon), que, quando exposto ao Sol, projecta a sua sombra numa superfície onde se encontra marcada uma escala devidamente graduada que nos indica as horas.
* Professora na área de química, Carla Pereira fez o mestrado com um estudo sobre relógios de Sol
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A Epilepsia do Lobo Temporal (TLE) é um das síndromes mais frequentes de epilepsia. A fisiopatologia desta síndrome envolve diversas estruturas límbicas, sendo o hipocampo e a amígdala as mais estudadas, e a sua patologia designada por esclerose mesial. Devido à singularidade da esclerose mesial, a maior parte da investigação anatomo-fisiológica tem sido dirigida para esta região cerebral. Esta lesão consiste na perda neuronal e gliose reactiva do hipocampo (mais frequentemente) e da amígdala (menos frequente e geralmente associada à lesão do hipocampo).
* Pedro M. Gonçalves Pereira, primeiro autor deste artigo, é médico-interno de Neuroradiologia no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, assistente da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior e da Escola Superior de Tecnologias da Saúde (Instituto Politécnico do Porto).


A Nanotecnologia e Nanociências (N&N) constituem uma área emergente do conhecimento científico que terá um impacto elevado na nossa sociedade. A escala nanométrica (1 metro = 1 000 000 000 nanómetros) é característica de objectos com tamanhos entre as dimensões das moléculas e as de partículas submicrométricas. Talvez por isso, os termos N&N têm vindo a ser utilizados em diferentes contextos e em relação a quase tudo o que se possa medir à escala nano.
* Tito Trindade é doutorado em Química Inorgânica pelo Imperial College de Londres. É actualmente Professor Associado da Universidade de Aveiro onde tem desenvolvido investigação e actividades pedagógicas, nomeadamente no âmbito da Nanoquímica.


A comunicação social, quando não é a experiência pessoal, dá-nos conta dos incêndios florestais que, com maior incidência em algumas regiões do Globo, nomeadamente Portugal, Verão após Verão, num crescendo de violência, vão espalhando a destruição e a dor. Fala-se em actos criminosos, em matas por limpar, em floresta desordenada, em descargas eléctricas de trovoadas ou de linhas de alta tensão, em pontas de cigarro, em falta de medidas de vigilância e ataque aos incêndios, etc. Tudo é verdade, mas não tem sido o suficiente, para combater a catástrofe. Melhor que combater é prevenir, e para isso, é fundamental que se recorra a todo o conhecimento existente para avaliação do risco de incêndio e definição de índices que traduzam quantitativamente esse risco. Na época transacta começaram a ser divulgados sinais de alerta para as diferentes regiões na forma de sinais luminosos, vermelho, laranja e verde.
* Professora associada com agregação em Química - Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa



Desde os anos 50 que o dilema do prisioneiro constitui uma das principais metáforas no estudo da cooperação entre indivíduos que não apresentam qualquer grau de parentesco, sendo que mais recentemente outros dilemas como da pomba-falcão ou o da caça ao veado têm vindo a despertar crescente interesse. Diferentes dilemas estabelecem diferentes tipos de ameaça à cooperação mútua entre indivíduos: Enquanto no dilema da pomba-falcão, a cooperação mútua é inibida pela tentação de explorar o próximo, no dilema da caça ao veado a cooperação mútua é inibida pelo medo de ser explorado pelo próximo. Por sua vez, no dilema do prisioneiro ambas as ameaças se manifestam em simultâneo.
* Francisco Santos é o primeiro autor de um artigo publicado a semana passada na revista PNAS e faz aqui um resumo desse mesmo trabalho. No final deste trabalho pode encontrar elementos sobre os autores e sobre a própria revista.

A sociedade moderna industrializada está organizada em torno de um símbolo predominante, a tecnologia. A agricultura não foge a esta regra e considerando que os recursos ambientais são limitados, e que estão sujeitos aos sérios impactos decorrentes das práticas humanas, por intermédio do uso de diferentes tecnologias esbanjadoras de energia e altamente poluentes, são muito importantes os estudos que visam promover o desenvolvimento sustentável tendo em conta processos sócioambientais.
* Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (ferraz@cnpma.embrapa.br)
** Professora da PUS SP
*** Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente

Uma das principais questões debatidas actualmente quando se trata das relações entre os sistemas económicos e os sistemas ecológicos ou ambientais refere-se ao processo de se associar valores económicos aos bens e serviços ambientais. O processo de valoração económica do meio ambiente tem-se constituído em um amplo e importante campo de pesquisas teóricas e trabalhos empíricos. Claramente, por se tratar de um ramo da ciência que envolve o comportamento humano, não é desprovido de controvérsias, advindas de preferências teóricas e metodológicas.

A parcela urbana da população brasileira cresceu de 36% para 75% entre as décadas de 50 e 90. A urbanização ocorreu de maneira desorganizada, e regras de protecção ao meio ambiente e ao cidadão não foram respeitadas. Com isso, as cidades formaram-se sem infra-estrutura e disponibilidade de serviços urbanos capazes de comportar a população. Portanto, os grandes centros urbanos concentram também os maiores problemas ambientais, cuja complexidade exige tratamento especial e interdisciplinar. A degradação do meio ambiente não é um problema exclusivamente brasileiro, vários países passaram por problemas semelhantes e buscaram soluções que garantiram a qualidade de vida dos cidadãos sem prejudicar o desenvolvimento económico. O Brasil começa a despertar para a necessidade de conservação do meio ambiente, implementando instrumentos legais para resolvê-los e incentivando actividades que resultem em ganhos ambientais. A Embrapa, cuja missão é “viabilizar soluções para o desenvolvimento sustentável do espaço rural, com foco no agronegócio, por meio da geração, adaptação e transferência de conhecimentos e tecnologias, em benefício dos diversos segmentos da sociedade brasileira” tem participado altivamente desse processo, utilizando seus recursos humanos e conhecimentos para subsidiar e promover políticas públicas relacionadas à conservação do meio ambiente e à agricultura brasileira.
* Pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente
O que neste texto possa haver de mais marcadamente pessoal ou auto-biográfico terá, como é evidente, menos interesse do que aquilo que, nele, eventualmente puder ultrapassar-me, ser útil ao leitor. É esse espírito com que o publico. Um testemunho pode ser esclarecedor sobre uma actividade e uma época, para além daquilo que o próprio autor imagina, ou que a tradicional modéstia científica (algo hipócrita, diga-se) habitualmente aconselha. Nunca me revi nesses falsos actos de contenção ou contrição. A ciência, tal como a arte, é feita por pessoas e ambos são produtos históricos como outros quaisquer. Reflectir sobre o essencial da minha vida de arqueólogo, sem escamotear o carácter eminentemente subjectivo dessa auto-avaliação, eis o meu fito aqui.
O que neste texto possa haver de mais marcadamente pessoal ou auto-biográfico terá, como é evidente, menos interesse do que aquilo que, nele, eventualmente puder ultrapassar-me, ser útil ao leitor. É esse espírito com que o publico. Um testemunho pode ser esclarecedor sobre uma actividade e uma época, para além daquilo que o próprio autor imagina, ou que a tradicional modéstia científica (algo hipócrita, diga-se) habitualmente aconselha. Nunca me revi nesses falsos actos de contenção ou contrição. A ciência, tal como a arte, é feita por pessoas e ambos são produtos históricos como outros quaisquer. Reflectir sobre o essencial da minha vida de arqueólogo, sem escamotear o carácter eminentemente subjectivo dessa auto-avaliação, eis o meu fito aqui.
N.D - Este é um longo trabalho ao modo de reflexão autobiográfica de Vítor Oliveira Jorge. A extensão do texto leva à sua divisão em partes I e II. A Parte II pode ser consultada em Revista/ Artigos.


Talvez não cause grande espanto nem perplexidades maiores a constatação, quase resignada, de que os cientistas se vestem por pudor ou porque está frio, que compram as roupas erradas na estação errada, que cortam o cabelo para não lhe cair nos olhos, que vêm os filmes protagonizados pelos heróis acidentais, que não sabem pendurar quadros nas paredes ou escolher móveis para as salas e outras coisas assim. O pós-modernismo, o construtivismo, o funcionalismo, o surrealismo, o expressionismo abstracto, a arte conceptual, são conceitos, ou em muitos dos casos apenas palavras, que nos deixam tão indiferentes como o nome dos novos criadores de moda Belgas. Parece, de resto, constituir uma observação quase incontestada que os cientistas tem aquilo a que, sem grandes reflexões ou cerimónias se pode chamar, e às vezes chama, “mau gosto”. É certo que se esta descrição se aplica a alguns cientistas aplica-se também a muitas outras pessoas cujo contacto mais próximo com a ciência consiste na observação deslumbrada dos glutões a devorarem as nódoas deixadas, na toalha, pelo molho do leitão à bairrada.
A publicação deste texto resulta de um acordo entre a ANBIOQ (Associação Nacional de Bioquímicos) e o Ciência Hoje.


No verão, em pleno Agosto, quando a política abranda e o futebol estagna, a comunicação social procura interesses menos habituais. É nessa altura que mais se pode ler sobre ciência em jornais generalistas e é a melhor oportunidade de apreciar a forma como a ciência aparece ao grande público. Neste verão, um colunista do Público [1] advertia o leitor das más intenções do «lóbi científico, o qual no caso depende da indústria farmacêutica» (sic). E o “caso” é o da «autorização da produção laboratorial de embriões humanos para serem usados como células estaminais» no Reino Unido. Independentemente da dimensão ética e cultural, muito justamente debatida, surpreende ver a comunidade científica retratada como um lóbi. E não me pronuncio sobre a acusação de ser um lóbi na dependência de (logo, às ordens de) sectores industriais.
Este texto é publicado na sequência de um acordo entre a ANBIOQ (Associação Nacional de Bioquímicos) e o Ciência Hoje.

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